A CADEIRA VAZIA
A notificação chegou partida em três linhas sobre a soleira. Presença de campo. Conferência de ocupação. Permanência recomendada. Valdo leu sem se abaixar. A bacia vazia continuava sobre o pano azul, e a cadeira arrastada por Ilva fazia uma parede baixa entre a porta e a mesa. Nael estava junto ao moinho rachado, olhando o quintal por uma fresta. As saúvas levavam pedaços da folha seca para baixo da tela. A muda de pequi ficara com dois talos verdes, finos como fósforos apagados. Quem mora depois da estaca, perguntou ela. Ele não respondeu logo. Do lado de fora, uma mulher tossiu, depois falou baixo com alguém. As câmeras presas à fachada acompanharam a sombra de dois corpos antes de reconhecerem as faces. Valdo aproximou a cadeira da mesa. A película em seu pescoço se levantou numa ponta quando ele virou a cabeça. Fala, Nael. O velho puxou a mão pelo tampo. Havia uma camada de farinha nos nós dos dedos, deixada pelo milho da tarde anterior. Disse que morava Antônio. A porção coberta permanecia no quarto. Ilva ficou de pé devagar, protegendo a faixa curta na perna. O nome de Antônio entrara no volume técnico da empresa de aluguel junto com a caminhada, a estaca, a vala e a pedra oca. O filho dele receberia uma mensagem de quarenta e três segundos antes de saber que o pai tinha virado ponto de referência para uma escavação. Você falou só o nome, perguntou. Falei que ele tinha bar. Que tinha casa. Valdo soltou o ar pelo nariz. A mulher na rua pediu autorização vocal para entrar. O pedido não vinha da operação mineral. A empresa de aluguel mandara seus coletores, pagos para produzir ocupações legíveis onde havia chão disputado. No painel da mulher, o nome Antônio acendeu ao lado de uma linha de ocupação. Nael passou a mão sobre o pano que cobria a marca azul. Eu também falei que ele não sabia da casa. Ilva olhou para ele. Essa parte não estava no relato. Porque o homem da lente perguntou se Antônio conhecia a curva. Eu falei que não. Ilva puxou a faixa da perna até cobrir a pele acima do joelho. Antônio ficava de fora do segredo, mas seu nome continuava preso à terra. Nael tinha escolhido por ele uma ignorância que podia parecer proteção para quem estava dentro da casa e abandono para quem voltasse. A mulher repetiu o pedido. Desta vez, a voz veio com irritação contida. Valdo encostou o ombro no batente. Se eles entram, acham a panela no quarto, a comida separada, a cama usada. Vão dizer que ele vive aqui e que a comunidade sabia. A casa tinha a porta aberta para a rua e fechada para o homem ausente. Ilva conhecia esse tipo de conta. Uma pessoa podia sumir de um mapa por falta de autenticação corporal, mas um prato reservado bastava para dar trabalho a uma equipe inteira. Nael foi até o quarto. Voltou carregando a porção de Antônio dentro da tampa dobrada. Não trouxe a panela rasa. Pôs o milho sobre a mesa, perto das três partes já partidas. Valdo ergueu o rosto. Vai dar comida para eles. Vou dar para quem vier dizendo que Antônio mora aqui. A mulher pediu entrada pela terceira vez. Nael retirou a cadeira da frente da porta. Levou-a para o fundo do alpendre, junto à parede de adobe onde os dutos de serviço subiam até o telhado. Depois pegou a tampa com a porção e saiu para a soleira. Ilva segurou o braço dele. Você já entregou caminho demais. Ele olhou para a mão dela, depois para a tela rasgada no quintal. Quando guiava as máquinas, recebia pelo percurso aberto. Mais tarde, aprendeu que a rota pagava outra vez quando alguém precisava provar que não havia ninguém no fim dela. A lembrança não o limpava. Ficava no joelho, na fala curta, no cálculo de quantos passos uma escavadeira precisava para alcançar uma porta soterrada. Eu disse que Antônio não sabia, falou. Agora eles vão ouvir de mim. Ilva soltou o braço dele. Valdo levou a cadeira até a ponta do alpendre e sentou de frente para a rua, deixando o indicador ferido sobre a coxa. Não ofereceu face ao painel. Não pediu crédito. Ficou ali como quem esperava transporte, embora já tivesse perdido o caminhão, o reservatório e a busca. A porta abriu para dentro. Dois coletores esperavam sob o sol, uma mulher de colete cinza e um homem com lente no peito. Atrás deles, o vapor do datacenter subia acima dos dutos, levando para o céu a água que o vale não teria de volta. Perto da sarjeta, uma lagartixa saía de uma sombra de tubulação e corria até a outra, atravessando terra quente demais para permanecer. Nael estendeu a tampa. Aqui tem quatro pessoas quando Antônio volta, disse. Hoje tem três. Valdo alcançou o pano azul pelo vão da porta e cobriu a curva inteira. A mulher baixou os olhos para a comida. O homem da lente aproximou um passo, e a câmera da fachada desceu junto. Nael manteve a tampa entre os dois. Depois a colocou no chão, fora da porta, e puxou a cadeira vazia para perto dela.
Energia e água
| Geração | 87.920 tokens em 6 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~176 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 61 Wh só na placa de vídeo (4090) | medido na GPU |
| Tradução | ~6.779 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |