A RAINHA SOB A CADEIRA
Entrada disponível. Oito minutos. A luz desceu pela soleira e alcançou a tampa dobrada, onde a porção de Antônio começava a rachar sob o sol. A coletora manteve um pé na rua. O homem da lente aproximou o rosto da comida, e a cadeira vazia projetou sobre ela uma sombra curta, insuficiente para protegê-la. Nael continuou diante dos dois. Valdo, sentado no alpendre, segurava o indicador ferido sobre a coxa. Ilva havia recuado até a mesa, deixando livre o corredor para o quintal. Se entrassem, encontrariam três lugares usados e um preparado para quem não estava. Se ficassem fora, a empresa de aluguel conservaria o nome de Antônio ligado à camada soterrada com a precisão conveniente de um erro pago. A primeira saúva subiu pela borda da tampa. Nael a viu alcançar uma rachadura do milho. Outra apareceu junto à perna da cadeira, depois cinco, depois uma faixa escura que vinha do quintal, atravessava a cozinha e saía pela porta. As formigas haviam abandonado a muda de pequi. Carregavam fragmentos verdes, partes da tela oxidada e grãos de terra úmida presos às mandíbulas. A coletora afastou a bota. Tem formigueiro dentro, disse. Debaixo, respondeu Nael. A diferença fez o homem da lente inclinar o corpo. As saúvas não seguiam a lateral seca da casa. Emergiam por uma fresta entre a travessa da porta e o adobe, onde a sombra conservara umidade suficiente para amolecer o chão. Uma delas puxou a massa. Duas vieram ajudá-la. A porção destinada a Antônio começou a andar em migalhas para dentro da casa que a equipe ainda não tinha autorização para chamar de dele. Valdo se levantou. Quando cultivava cheiro-verde atrás da própria casa, reconhecia uma mudança de formigueiro pelo horário. Antes da bomba ser retirada, elas desciam ao cair da tarde e cortavam os canteiros durante a noite. Agora saíam sob o sol, fugindo da terra aquecida pelos dutos e da faixa seca aberta entre a lavra e o datacenter. Elas estão mudando a rainha, falou. Onde, perguntou Ilva. Valdo apontou com a mão boa. Uma saúva maior apareceu na fresta, cercada por operárias menores. Tinha as asas roídas e o abdome coberto de barro. O grupo inteiro alterou a direção quando a luz da lente tocou o chão. Em vez de seguir para a cozinha, dobrou junto ao pano azul e começou a penetrar sob a bacia. Nael retirou a cadeira do caminho. A coletora avançou meio passo, mas parou quando centenas de formigas ocuparam a soleira. Sete minutos, avisou a fachada. Pega a tampa, disse Ilva. Nael abaixou a mão. Valdo o segurou pelo antebraço. Se levantar, elas se espalham. Se deixar, comem. É comida dele, falou a coletora, olhando a linha de ocupação acesa em seu painel corporal. Nael virou para ela. Era. A palavra soltou Antônio da porção e o prendeu com mais força à casa. A mulher aceitou a correção pela metade. Marcou alimento de titular ausente, ocorrência que permitia à empresa tratar o bar como residência mantida durante abandono. O nome ganhava uma cama sem precisar de corpo. As saúvas puxaram a maior parte para baixo do pano. A bacia vibrou. Um som de raspagem correu pelo piso e terminou perto do quintal. Valdo se agachou, encostou dois dedos no chão, depois retirou a mão depressa. O calor vinha de baixo. Quando jogava bola ali com Antônio, a terra cedia sob os pés depois das chuvas. Os dois enchiam o rebaixo com casca de milho para a bola não desviar. A mineração aprofundara o corte do terreno, os cabos da infraestrutura de inteligência aqueciam a camada rasa, e aquela depressão antiga sobrevivia como passagem para insetos. A casa soterrada respirava por uma colônia. Nael olhou para Valdo. Você sabia da fresta. Sabia do formigueiro velho. E não falou. Você também não falou da curva de cima. A fila de saúvas engrossou entre eles. Valdo pegou a cadeira vazia e a colocou sobre duas pernas, formando uma ponte acima da trilha.
Nael sustentou o outro lado. Pela primeira vez desde a estaca, ambos carregavam o mesmo peso sem esconder a direção. A coletora recuou para a rua. O homem da lente tentou contornar pelo quintal, mas as formigas já atravessavam o corredor em três linhas. A rainha passou sob a cadeira. Depois vieram larvas brancas, transportadas uma a uma, e o milho de Antônio, reduzido a lascas. A entrada expirou enquanto a equipe esperava passagem. A mulher informou que voltaria com contenção biológica e que a ocupação de Antônio permaneceria em análise. Nael não respondeu. Valdo baixou seu lado da cadeira. Nael manteve o dele suspenso até a última larva passar. Então os dois atravessaram a cozinha, carregando a cadeira para o quintal.
Energia e água
| Geração | 54.075 tokens em 4 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~108 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 61 Wh só na placa de vídeo (4090) | medido na GPU |
| Tradução | ~6.417 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |