TRÊS ARGOLAS DE COBRE
Deixa a manta onde estava, disse Ilva. O homem segurou a dobra contra o peito. Se vierem contar lugar de dormir, a casa perde a seleção. O calor da tarde ocupava a cozinha até a altura da boca. Acima disso, os dutos aparafusados na taipa levavam ar refrigerado ao armário de serviço. A grade instalada por Renan continha as formigas maiores, mas as pequenas atravessavam a ferrugem e recolhiam os três grãos caídos da peneira. Uma delas levou o maior até a canaleta, perdeu-o na fenda e voltou para buscar outro. A manta cobria a bolsa vazia perto do corredor. Desdobrada, fazia uma cama estreita. Ele tornou a dobrá-la. Antônio mandou a gente ficar, falou Ilva. Mandou não sair. É diferente. Ele esperou que ela completasse. A frase ficou entre os dois, junto da porção coberta que secava sob a tigela virada. Ilva se abaixou diante do banco mais antigo do bar e puxou uma caixa plástica cuja tampa cedera no centro. Dentro havia um tecido de trama larga, endurecido por poeira e gordura. Um lado conservava três argolas de cobre. O outro terminava em fios rompidos. Nael ergueu a cabeça ao ver a peça. Aquilo tinha sido a rede da primeira janela da hospedaria, quando Antônio ainda deixava o filho dormir no quarto dos fundos. Depois que o menino partiu para a capital, a rede serviu para peneirar casca de milho, cobrir o refrigerador quebrado e proteger as panelas durante uma estação de besouros. Restara aquele pedaço. O homem abriu o tecido sobre a mesa. No centro, uma área mais escura desenhava o tamanho de uma cabeça infantil. Ele passou a mão perto da marca sem tocá-la. Dá para fazer uma bolsa, disse. Dá para fechar o corredor, respondeu Nael. As duas utilidades cabiam na mesma trama. Uma permitiria ao homem reunir a camisa, a manta e o pouco que trouxera. A outra criaria diante da cozinha uma separação visível, um lugar onde ele poderia dormir sem bloquear a passagem. Nael segurou uma argola, avaliou a corrosão e soltou-a. Não escolheu por eles. Saiu para o quintal com a porção de farinha na mão. Pela janela, o Cerrado aparecia em três alturas de perda. O capim junto ao tanque ainda conservava fios verdes. Depois vinha a faixa parda onde a muda de pequi secara. Mais longe, a poeira da lavra cobria as folhas baixas com uma pele cinza, e as árvores que restavam interrompiam o horizonte em intervalos maiores que no verão anterior. O mineral arrancado dali seguiria para ímãs de máquinas que ainda nem tinham sido instaladas. A sede chegara antes delas. Ilva estendeu o tecido entre dois apoios do corredor. Faltavam quase dois palmos para alcançar a parede. O homem retirou a faixa que mantinha enrolada no fundo da bolsa, a mesma tira trazida da casa da mãe, e mediu o trecho ausente. Se cortar, não volta, disse ela. Já não volta. Ele separou a parte menos gasta da faixa e passou-a pelas argolas de cobre. Não havia lâmina à mão. Usou a borda áspera da própria argola, puxando o tecido de um lado para o outro até os fios cederem.
Levou tempo. O suor caiu sobre a mesa e abriu dois círculos na poeira. Quando terminou, amarrou a rede ao apoio do corredor. A antiga proteção de janela tornou-se uma divisória. Atrás dela cabiam a bolsa, a manta e um corpo deitado com as pernas recolhidas. Da cozinha, via-se apenas a sombra dos objetos. As câmeras de rastreamento da fachada ajustaram o foco quando o tecido se moveu. Nenhuma notificação apareceu. A casa, porém, deixara de oferecer um espaço vazio aos instaladores. Cabe nós dois, falou ele. A faixa era sua. Antônio pode mandar tirar. Pode. E você. Ilva recolheu do chão a ponta que sobrara da rede. Era pequena demais para cobrir uma tigela e larga o bastante para envolver a faixa de sua mão. Dobrou-a uma vez e colocou-a ao lado da manta. O homem levou a tigela lavada para trás da divisória. Depois voltou e trouxe as outras, uma por uma, deixando a de Antônio no lugar. A dele ficou entre a de Ilva e a de Nael, sem palmo de distância. No quintal, a terra onde o pequi morrera abriu uma rachadura fina. Dentro dela, uma raiz seca permanecia presa a um grão de barro escuro.
Energia e água
| Geração | 57.266 tokens em 4 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~115 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 61 Wh só na placa de vídeo (4090) | medido na GPU |
| Tradução | ~5.641 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |