2047: Arquivos do depois de antes
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CAPÍTULO 125 · PRÉVIA

QUATRO TIGELAS NO CHÃO

Prévia, ainda não impresso

Disse para não saírem, não disse que você fica, falou Renan da entrada da cozinha. O homem manteve a peneira apoiada contra a parede. Tinha passado a madrugada sustentando a malha diante da ventilação, e agora os dedos conservavam a curva do aro mesmo vazios. Ilva colocou quatro tigelas no chão caiado, onde a sombra da mesa ainda cobria uma faixa estreita. Na primeira, verteu água até a marca escura do metal. Na segunda, dois dedos menos. A terceira recebeu apenas o fundo. A quarta permaneceu seca. A casa de Antônio obedecia a uma ordem anterior às cobranças. Quem voltava do trabalho bebia antes. Quem estava de passagem esperava. A porção do ausente ficava coberta até a hora em que alguém admitisse que ele não viria. Renan entrou. Trazia a chave presa à cintura e a camisa endurecida de poeira. Havia caminhado até a oficina da operação para perguntar pelo serviço perdido. O assistente de inteligência artificial reconhecera sua voz, relacionara a pergunta à retenção da peça e respondera com uma oferta de treinamento remoto sem pagamento. A oficina precisava de gente. O modelo preferia gente ainda não comprometida com uma casa. Ele se sentou perto da tigela mais cheia. É sua, disse Ilva. É de quem trabalhou, respondeu o homem. Renan puxou a tigela seca. O metal raspou o piso e parou entre seus pés. Na oficina estão dizendo que o datacenter sai, falou. Ou que cresce. Um motorista ouviu que vão pagar bem para quem descarregar unidade de processamento. Outro disse que trazem os trabalhadores de fora. Prometeram circuito fechado, água quase nenhuma e comércio cheio. A farinha sobre a mesa cabia na concha de Ilva. Ela separou metade numa tigela, depois repartiu a outra metade em três porções desiguais. A maior ficou diante do lugar vazio de Antônio. O homem acompanhou a divisão sem tocar na comida. Renan contou que a oferta estaria vinculada ao endereço. Casas com um ocupante disponível receberiam prioridade para alojar os instaladores. Casas com ocupação contestada perderiam a seleção. O pacote menor de farinha, reservado no bar para quando Antônio voltasse, custava naquela manhã o equivalente a duas horas de descarga mineral. Na tarde anterior, custava uma. Ilva molhou a farinha de Antônio com uma colher da tigela cheia. A massa escureceu, suficiente para não se desfazer. Repetiu o movimento na porção de Renan. Quando alcançou a terceira, a colher bateu no fundo. O homem empurrou sua tigela para ela. Você bebeu ontem, disse Ilva. E ele não. Antônio tinha passado a noite dentro de uma carreta, entre zonas de leitura que confirmavam sua presença sem revelar onde seu corpo descansava. A voz enviada pela estrada mandara os dois permanecerem. Na casa, a frase encontrava quatro recipientes e água para três. Renan levantou a tigela seca e a colocou sobre a de Antônio, cobrindo a massa.

Fazia isso quando trabalhava em turno longo e queria preservar comida do calor. Na primeira semana de mineração, antes de aprender que o intervalo podia ser descontado, escondera mandioca sob um capacete emprestado. Ainda confiava mais numa coisa virada que numa promessa aberta. Se o endereço entrar na seleção, ele vira alojado, disse. Não vou trabalhar para eles, falou o homem. Não perguntam isso para a casa. A rua devolveu o ruído grave de uma carga subindo devagar. Os sensores presos à fachada acompanharam a vibração, uma luz após outra, até o som diminuir. Dentro da parede de taipa, os dutos acrescentados pela operação estremeceram sobre a cal. A cozinha continuou quente. O ar refrigerado circulava a menos de três metros dali, reservado ao armário que mantinha a vigilância em temperatura segura. Ilva recolheu a quarta tigela e guardou-a no volume baixo, junto das outras que Antônio usava no bar. Deixou três no chão. Depois retirou a porção coberta e dividiu a massa em quatro com a borda da colher. Uma parte voltou para debaixo da tigela virada. As outras ficaram menores que a concavidade de uma mão. O homem pegou a sua. Antes de comer, partiu-a novamente e colocou metade sob a cobertura de Antônio. O calor secou as bordas da massa. Ilva distribuiu a água pela ordem da casa. Renan bebeu primeiro, devolveu a tigela com um resto no fundo. Ela passou o recipiente ao homem, que tomou apenas um gole e entregou a Luzia quando a menina apareceu na porta, atraída pelo rumor de trabalho e pela comida repartida. Luzia bebeu o resto sem perguntar a quem pertencia. A quarta porção continuou escondida. Ao meio-dia, estaria dura. À noite, poderia ainda ter o nome de Antônio ou já servir de prova contra quem a comesse. O homem levou a tigela vazia até a pia, mas não a colocou entre as dos moradores. Deixou-a no chão, separada por um palmo. Onde você quer que eu deixe essa, perguntou.

Energia e água

Geração145.853 tokens em 10 chamadas ao modelomedido
Água~292 ml na geração, 2 ml por mil tokensestimado
Vídeo61 Wh só na placa de vídeo (4090)medido na GPU
Tradução~6.567 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic)estimado
Impressãoimpressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora
Como a conta é feita ↗