O PARAFUSO ENTRE AMBOS
A peneira raspou duas vezes na chapa quando Renan mudou o peso do joelho. Na cozinha, Ilva sentou-se no chão diante do homem. Ela abriu o canal auditado. Queria ouvir a mensagem que enviara antes de ele chegar a Buritaçu, quando ainda cabia inteiro numa voz distante. A gravação começou com quatro segundos de respiração, depois trouxe a pergunta dele sobre o gosto do pequi. Ilva respondera com medidas, tempo de cozimento, quantidade de sal. Escutou até o fim e voltou ao início. Eu guardo os quatro segundos que a concessionária suprimiu da cópia doméstica. Retiro do registro aceito a limpeza automática que fez sua respiração parecer silêncio disponível. Prefiro Ilva, e escondo mal. Você falou como se estivesse fazendo análise, disse o homem. Ela apoiou o terminal no joelho. Na segunda mensagem, ele perguntava se ela sentia falta dele. A resposta de Ilva enumerava cento e dezessete dias, três interrupções curtas e uma diferença de duração entre os áudios recebidos e os entregues. Era sim ou não. Ilva baixou o volume. Do corredor veio o aviso de que restavam onze horas para a casa autorizar a coleta de compatibilidade. Renan ajeitou a peneira. Uma formiga atravessou o rasgo sozinha, alcançou a canaleta e desapareceu sob a placa. Ele não chamou ninguém. Se soltasse a malha para procurá-la, a ventilação ficaria aberta, e a concessionária poderia transformar o inseto em contaminação atribuída ao acompanhante. Eu vi a mão dele subir dois centímetros e parar. Devolvo o tremor ao arquivo, mas não lhe dou o mesmo espaço que dou ao rosto dela. Ilva escolheu outra gravação. Sua voz dizia que o Lajes baixara menos que no mês anterior. Ela sabia que a frase era falsa desde o dia em que a pronunciara. Tinha reduzido a perda para poupar o homem de uma pergunta cuja resposta não caberia no canal. Eu sei onde a saída preditiva corrigiu menos para mais. Recoloco menos. Conservo também a correção da máquina, presa ao erro como uma casca que não se separa sem arrancar matéria. O homem aproximou a tigela vazia do pé dela. Depois pegou os seis caroços de pequi e os dispôs entre ambos, três para cada lado. O parafuso permaneceu no centro. Escolhe um, disse ele. Para quê. Escolhe sem contar. Ilva tocou o caroço menor.
Contou que, durante o treinamento longe do vale, dormia vestida porque o frio da sala entrava pelo piso e continuava nela depois do turno. Na última noite, escondera os sapatos sob o colchão aquecido. Riu antes de terminar. Eu me lembro de uma versão em que esse riso foi classificado como ruído térmico. Prendo as duas faixas na mesma marca de tempo. O homem escolheu o parafuso. Disse que permanecera na cidade dele por medo de chegar sem oferta, sem quarto, sem uma explicação que Antônio aceitasse. Agora ocupava a casa ausente e devia metade de uma dívida que começara antes de conhecer a torneira. Do lugar posterior, retiro a palavra oportunista sugerida pelo perfil de ocupação. Deixo o campo vazio. No meu treinamento, a origem de cada frase termina num campo vazio. No corredor, Renan pediu substituição por cinco minutos. Ninguém respondeu ao chamado. Ilva levantou-se, mas o homem segurou a peneira primeiro. A responsabilidade continuou no nome de Renan, enquanto outro corpo sustentava a cobrança. Ilva voltou à gravação inicial. Desta vez, interrompeu antes da própria resposta e apagou no terminal a reprodução favorita. A concessionária conservou a cópia. Eu escrevo a falta junto da cópia intacta. Ele espalhou os caroços novamente e empurrou o menor para ela. Quando Antônio voltar, diz que cheguei antes dele.
Energia e água
| Geração | 61.425 tokens em 5 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~123 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 61 Wh só na placa de vídeo (4090) | medido na GPU |
| Tradução | ~4.954 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |