2047: Arquivos do depois de antes
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CAPÍTULO 122 · PRÉVIA

A PENEIRA RASGADA

Prévia, ainda não impresso

As formigas saíram da fenda sob o armário em duas linhas, depois em quatro, cada uma levando um grão branco maior que a cabeça. Renan ajoelhou no corredor antes de entender que eram larvas. Elas abandonavam o quintal seco e entravam pela placa sem parafusos, procurando a umidade que a purga deixara na canaleta. Luzia apareceu com a vasilha dos caroços contra o peito. O parafuso de segurança continuava entre as sementes. Cuidado com a vasilha, disse. A primeira fileira alcançou a abertura da ventilação. Renan passou a manga sobre o chão, tentou afastá-las, e as formigas se dividiram pelo tecido, subiram até seu pulso, entraram na dobra do antebraço endurecido. Ele sacudiu a mão, mas não matou nenhuma. Tinha visto colônias inteiras se moverem assim quando a terra recebia vibração de perfuração. Antes, os insetos desciam para a margem do Lajes. Agora escolhiam os vãos aquecidos pelas máquinas. Ilva veio da cozinha com uma peneira de farinha. A malha tinha um rasgo perto da borda, largo o bastante para deixar passar farelo e pequeno demais para uma formiga carregando cria. Renan tomou a peneira, encostou-a sobre a abertura de ventilação e percebeu que a chapa não fechava. A placa torta sustentava o caminho delas. Se eu apertar, volto a prender a purga, ele disse. Se deixar, elas entram no armário, falou Ilva. Do lado de fora, Nael apoiou a mão na parede do alpendre e acompanhou a trilha que vinha do quintal. Não entrou no corredor. Ficou olhando a terra rachada perto da muda morta. Quando era rapaz, conhecia o mês das formigas pelo barulho delas batendo nas folhas de buriti. Ali havia somente o chão batendo seco nos cascos da vila. Renan puxou a placa dois dedos para fora. As formigas aceleraram. Luzia largou a vasilha no piso e ajoelhou, usando uma colher de madeira para recolher as larvas que já tinham atravessado a soleira do corredor. Punha-as numa tigela vazia, uma por uma, contando alto. Dezesseis, dezessete, dezenove. Você pulou uma, disse Nael. Eu dei uma para elas voltarem. A chamada de serviço abriu no campo projetado junto ao punho de Renan. Uma oficina da operação mineral precisava de alguém para limpar filtros de poeira antes da partida de uma carga. O turno pagava o bastante para três refeições. Ele olhou a hora, depois a peneira presa à ventilação. As formigas chegavam pelas laterais. Renan recebeu o chamado como quem recebe uma porta aberta num corredor estreito. Vai, disse Ilva. Ele não se levantou. Em vez disso, pediu a Nael um pedaço de taipa caída junto ao alpendre. O velho trouxe dois fragmentos. Renan os quebrou contra o piso e encaixou as partes sob a borda da placa, elevando-a o suficiente para a peneira cobrir toda a entrada. Ilva segurou a malha enquanto ele pressionava os pedaços. A ventilação continuou respirando por furos menores. A chamada expirou sem som. Renan recolheu a tigela de Luzia e atravessou o quintal com o antebraço endurecido. Depositou as larvas numa sombra estreita atrás do tanque vazio, onde a terra ainda guardava umidade sob as raízes de um buriti.

Energia e água

Geração59.751 tokens em 5 chamadas ao modelomedido
Água~120 ml na geração, 2 ml por mil tokensestimado
Vídeo61 Wh só na placa de vídeo (4090)medido na GPU
Tradução~4.232 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic)estimado
Impressãoimpressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora
Como a conta é feita ↗