2047: Arquivos do depois de antes
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CAPÍTULO 111 · PRÉVIA

A FRANJA DA FAIXA

Prévia, ainda não impresso

A faixa de algodão terminava numa franja rala sobre a mesa. O homem havia dobrado o restante em quatro partes, cada uma menor que a anterior, e agora tentava fazer o tecido caber na embalagem vazia da farinha. A dobra escapava. Ele recomeçava. Ilva acompanhou a operação enquanto retirava duas tigelas do caminho. Sob o tampo, o adesivo de transporte projetava futuro sobre os pés dele. A palavra subia pela canela, desaparecia na barra da roupa e voltava ao chão. Nael dormia no quarto. A respiração chegava em intervalos compridos, abafada pela porta encostada. Do quintal vinha o atrito das saúvas contra a tela da muda. Elas haviam aberto outra passagem junto à terra, estreita o bastante para uma fila. Você pode deixar a faixa aqui, disse ela. Ele interrompeu a dobra. Aqui onde. Na casa. O homem passou o tecido entre os dedos. A mãe o usara para cobrir pão, contara na noite anterior. Trazê-lo por tantas conexões, com o espaço da bolsa calculado pelo transporte, custara uma muda de roupa. Agora tentava devolvê-lo à condição de bagagem. A casa não é sua, falou. Também não é minha. Então você não pode oferecer. Ilva puxou a cadeira vazia de Antônio para junto da parede. A quarta tigela permanecia perto do fogareiro, com a lasca voltada para dentro. Ela não se sentou. Quando pedi que viesse, precisava impedir a leitura do chão. Eu entendi. Você não perguntou. Se perguntasse, você teria dito para eu não vir. Ele acertara. A precisão entrou na cozinha como entrava o frio da sala onde ela fora treinada, restrito às máquinas e persistente no corpo depois da saída. Ilva afastou o copo vazio. O homem voltou a dobrar a faixa, desta vez sem olhar para ela. A comunicação entre os dois continuava ativa, embora estivessem separados por menos de um braço. A empresa de aluguel exigia comprovação até o fim do ciclo. Na superfície da mesa, uma faixa discreta contava a permanência dele em blocos, descontando o tempo em que seu peso saía do alcance da soleira. Três idas ao quintal para urinar tinham produzido onze minutos de ausência doméstica. Ele percebeu o olhar dela. Minha reserva no alojamento vence quando isto for aceito, disse. Ilva esperou. Não tenho volta comprada. A embalagem de farinha rangeu sob a mão dele. Na viagem para Buritaçu, ele mostrara preços, esperas, conexões perdidas. O trajeto inverso ficara fora de todas as mensagens. Você escondeu isso. Você me pediu para vir agora. Pedi. Ele empurrou a faixa para dentro da embalagem e fechou a borda adesiva. A palavra sob a mesa alcançou seu tornozelo outra vez. Futuro. Futuro. A casa recebia a propaganda por baixo, como recebia as formigas e o cabo enterrado. Ilva pegou a bolsa junto à parede. Havia nela uma camisa, a roupa usada na viagem e um recipiente flexível achatado. Levou tudo para perto da cama. O homem tentou apoiar o pé para alcançá-la, depois recuou. Não mexe, disse ele. Se a bolsa continuar pronta, você veio passar a noite. Talvez eu tenha vindo passar a noite. Ela retirou a camisa limpa e a estendeu sobre a cadeira de Antônio.

Depois colocou o recipiente ao lado do copo vazio. A bolsa perdeu a forma e tombou. O homem se abaixou e recolheu a alça caída sobre o chão. Com dois dedos, retirou dela três saúvas que já subiam pelo tecido e as deixou do lado de fora da soleira. Uma voltou. Ilva encostou o pé diante da passagem, enquanto ele puxava a tela da muda até cobrir a abertura junto à terra. A borda soltou de outro ponto. Ele prendeu o canto com o recipiente achatado. O plástico cedeu sob o peso e ficou marcado. Ele a observou por alguns segundos. Você faz isso com uma medição também. Isso o quê. Você chama a marca de quê. Ilva deixou a roupa usada dentro da bolsa. Sentou-se diante dele. Eu não sabia quanto tempo Antônio ficaria fora. Se Antônio voltar e mandar sair, eu saio junto. A franja da faixa escapava pela abertura da embalagem. O homem puxou o tecido para fora. Separou a parte que ainda cheirava ao sabão antigo e colocou-a sobre a camisa limpa. Não quero que você saia por minha causa. Já usei sua chegada pela minha. Ele abriu no antebraço a reserva do alojamento coletivo. O saldo permanecia retido, suficiente para duas noites se a presença em Buritaçu fosse recusada. Sua mão pairou sobre a opção de desistência. Ilva cobriu a projeção. Não entregue isso para me provar nada. A luz ficou presa entre as duas mãos. Então me diga o que devo fazer. Fique até Antônio voltar. Conte a ele quem comeu a porção. Se decidir ir depois, eu ajudo a preparar a viagem. E se ele não voltar. A cadeira guardava a camisa do visitante. A tigela lascada guardava a ausência do dono. Ilva soltou o braço dele. A porção dele continua na tigela. O homem fechou a reserva sem desistir dela. Em seguida, tirou a camisa da cadeira de Antônio e a colocou na beirada da cama, ao lado da roupa de Ilva. A empresa ainda poderia negar sua permanência no ciclo seguinte.

Energia e água

Geração124.732 tokens em 10 chamadas ao modelomedido
Água~249 ml na geração, 2 ml por mil tokensestimado
Vídeo61 Wh só na placa de vídeo (4090)medido na GPU
Tradução~6.863 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic)estimado
Impressãoimpressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora
Como a conta é feita ↗