O ADESIVO DE TRANSPORTE
Se ele comer a porção de Antônio, disse Nael, dorme aqui dentro. O homem tinha a perna estendida sobre outra cadeira e olhava a tigela dividida no centro da mesa. A maior parte estava diante dele desde a noite anterior. Ninguém a tocara. O calor entrava pela cozinha com a poeira dos dutos, levantando o cheiro azedo da gaze usada que envolvia a mão de Ilva. Nael colocou uma quarta tigela vazia junto ao fogareiro. Era menor, com uma lasca na borda. Antônio come quando volta, falou Ilva. Então esta aqui é de quem ainda não voltou, respondeu Nael. O visitante tirou a bolsa do chão e a abriu devagar. Havia dentro uma muda de roupa, uma embalagem de farinha de casca de mandioca e um adesivo corporal de transporte, ainda preso ao verso da mão. O adesivo projetava, de tempos em tempos, uma frase verde sobre sua pele. Metal do país, futuro do país. Na cidade dele, os candidatos tinham ocupado os intervalos dos transportes com promessas sobre terras raras. Um queria guardar o minério sob bandeira e contrato. Outro oferecia refino nacional, empregos novos, uma palavra limpa para máquinas que continuariam chegando perto das nascentes. Quem aceitasse repetir a campanha recebia prioridade na fila de alojamento por uma semana. Ele mostrou o adesivo sem encostar na projeção. Falei a frase para atravessar a estação, disse. Depois ela ficou comigo. Ilva viu a palavra futuro pulsar sobre a pele dele, ao lado da terra acumulada sob as unhas. A mina aparecia naquelas falas como uma reserva distante, uma espécie de cofre enterrado. Buritaçu ficava fora da frase. O córrego, as casas caiadas, o alpendre que queimava os pés, tudo cabia na parte muda do anúncio. Nael puxou a tigela maior para perto do homem. Come. Ele não pegou a colher. Tirou da bolsa a embalagem de farinha e despejou o conteúdo sobre a mesa. Não chegava a uma mão cheia. Misturada aos grãos havia uma tira de tecido fino, dobrada quatro vezes. Ele a abriu. Era uma faixa de algodão, lavada tantas vezes que perdera a cor. Minha mãe usava isso para cobrir pão, falou. Trouxe para a viagem. Não vai resolver o pé. Ilva estendeu a mão ferida. A gaze já tinha endurecido nas bordas. Ele rasgou uma tira do tecido com os dentes, enrolou-a sobre o corte dela e deu um nó pequeno, firme, sem puxar demais. Depois separou outro pedaço e guardou junto à cadeira. Para quando a membrana soltar. Ela deixou a mão sobre a mesa. A faixa tinha cheiro de sabão antigo, uma coisa que o vale já reconhecia apenas em lembrança alheia. Nael repartiu a farinha em três montes e empurrou o menor para si. O homem recebeu a porção de Antônio sem protestar. Comeu devagar, apoiado na borda da cadeira, enquanto a quarta tigela permaneceu vazia entre os três. Quando terminou, tirou o adesivo de transporte. A pele sob ele estava mais clara, quase lisa. Colou-o na parte de baixo da mesa, onde a projeção verde continuou repetindo futuro para as pernas de quem se sentasse ali. Ilva não mandou que ele removesse aquilo. Arrastou a bolsa dele para perto da parede, ao lado da cama onde ficava o coletor antigo, e separou para ele o espaço estreito entre a mesa e a porta do quarto.
Nael observou a bolsa mudar de lugar. Agora ele dorme dentro, disse. A tigela lascada continuou esperando Antônio.
Energia e água
| Geração | 429.249 tokens em 20 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~858 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 61 Wh só na placa de vídeo (4090) | medido na GPU |
| Tradução | ~4.584 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |