O CAROÇO ANTIGO
O homem chegou com um pé descalço e o outro preso dentro do sapato por sangue seco. A comunicação continuava aberta no antebraço de Ilva. A face transmitida avançava com atraso de dois segundos, enquanto o corpo já ocupava a soleira. Nael olhou de um para o outro. Qual deles entra, perguntou. O homem riu e apoiou a bolsa no chão. Trazia a camisa escurecida nas costas, poeira até os joelhos e uma bolha rompida no calcanhar. Descera do transporte quando a conexão magnética do eixo entrou em espera de reposição. A peça, pequena o bastante para caber sob a língua, custava naquela semana mais que o restante da viagem. Os fornecedores haviam recolhido os lotes depois de uma disputa entre compradores. Ele caminhara as últimas três horas. A soleira manteve a luz azul. O painel reconheceu a íris presente, encerrou a garantia de trajeto e conservou o saldo do alojamento sob revisão. A empresa de aluguel ainda podia classificar as horas anteriores como serviço remoto. Ilva mandou que ele se sentasse. Abriu o estojo médico e encontrou duas tiras de membrana, um sachê de descontaminante e três fechos cerâmicos. Os fechos magnéticos tinham desaparecido das remessas havia seis dias. O distribuidor oferecia reposição pelo equivalente a quatro porções alimentares, com prioridade para manutenção industrial. Ela mediu a lesão com a projeção do terminal. Quatro centímetros de pele aberta, bordas sujas, calor acima do limite em dois pontos. Lavou primeiro os dedos dele com metade do sachê. Usou a outra metade no calcanhar, do centro para fora, até a gaze mineral sair menos escura. Esperou vinte respirações. Secou sem arrastar. O homem segurava a borda da cadeira. Você sempre recebe visita assim, perguntou. Só as que prometem manga. Nael trouxe do quarto um caroço antigo, limpo e polido pelo uso, e colocou sobre a mesa. Esta chegou primeiro, disse. O homem pegou o caroço, cheirou e afirmou que ainda havia fruta ali. Nael respondeu que aquilo cheirava a bolso. Os dois discutiram por alguns minutos se bolso tinha cheiro próprio ou roubava o cheiro das coisas. Ilva riu quando o visitante aproximou o caroço da axila para testar a teoria. O caroço passou para a mão de Nael, depois para a dele, e sumiu enquanto os três ainda discutiam. Ela cortou a primeira tira de membrana em duas partes. Cobriu a área mais funda, pressionou por trinta segundos e fixou as bordas com dois fechos cerâmicos. A segunda parte reforçou o calcanhar. Restava uma tira inteira, destinada à troca da faixa curta em sua perna, e o corte entre seu polegar e o indicador continuava aberto. O terminal calculou sete horas até a primeira troca. Para manter a membrana aderida, ele não poderia apoiar o calcanhar. A hospedaria seguia sem classificação habitável. O alpendre tinha piso áspero e calor dos dutos. Ilva separou a última tira. Cobriu a lesão menor perto do tornozelo, onde a poeira já entrara sob a pele. O saldo médico doméstico caiu a zero. Em seguida, enrolou no próprio dedo a borda limpa da gaze usada.
O homem viu. Isso não segura, disse. Segura até parar de sangrar. Nael afastou a cadeira da soleira e abriu espaço junto à mesa. O visitante apoiou ali a perna tratada. A presença corporal substituiu a captura, mas a análise humana permaneceu aberta. No painel, a empresa pediu comprovação de permanência até o ciclo seguinte. Ilva levou o copo vazio à boca por hábito, pousou-o e puxou para perto a tigela reservada. Havia alimento para dois. Nael dividiu em três porções desiguais e entregou a maior ao recém-chegado. Sob a membrana, o sangue levou menos de um minuto para desenhar a forma do calcanhar. Na mão de Ilva, atravessou a gaze em nove segundos.
Energia e água
| Geração | 172.273 tokens em 7 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~345 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 61 Wh só na placa de vídeo (4090) | medido na GPU |
| Tradução | ~5.156 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |