A LAGARTA NO METAL
Tarifa de combustão incorporada. Reserva de trajeto insuficiente. A frase chegou dividida em três faixas sobre o antebraço do homem, que dormia diante da captura com a cabeça caída para o lado. O alojamento coletivo onde ele aguardava também cobrara presença. Duas reservas de moradia e uma viagem agora dependiam da mesma linha aberta entre sua face e a cozinha de Antônio. Ilva aproximou o painel da soleira. O sensor de presença, um filamento embutido na madeira que media a vibração de voz e peso para confirmar quem morava ali, tinha acendido amarelo. A comunicação afetiva sustentava a casa contra a entrada da equipe, mas o filamento registrava a conversa como intermitente. Bastavam quarenta segundos de silêncio compactado pelo modelo para a análise humana chamar aquilo de ausência. Ela se abaixou. Na parte baixa da soleira havia uma placa estreita, coberta por uma película de barro seco. Tirou da caixa de ferramentas uma ponteira de manutenção e passou a ponta entre a madeira e o aro metálico. A placa resistiu. A ponteira escapou uma vez e abriu uma linha branca na pele entre o polegar e o indicador. Ela levou a mão à boca, esperou o ardor diminuir, depois voltou ao encaixe. Nael surgiu na porta do quarto sem calçar a sandália. O homem vai vir, perguntou. Ela retirou a placa. Por dentro, três fios finos seguiam para a parede. Um estava preso sob uma crosta de terra, trazida pelas formigas da fresta. O sensor recebia a voz distante, mas perdia o retorno da casa. A empresa podia dizer que ela conversava de fora para dentro, como uma chamada de serviço, sem residência. Vai perder onde mora se não vier, falou Ilva. Nael se encostou no batente. O pequi cercado pela tela aparecia no quintal como uma vara sem folhas. Uma lagarta verde subia pelo metal e parava onde o ar quente dos dutos secava a ferrugem. Antes, Nael dizia, os pequis pequenos atraíam besouros de casco azul. A mina abriu o solo acima do Lajes, o datacenter começou a disputar a bacia antes mesmo de existir por inteiro, e os besouros foram ficando raros como fruta inteira. Ele olhou a ponteira na mão dela. Isso aí segura a casa. Segura a leitura da casa. A tarifa que comera a reserva do homem vinha de uma geração a gás contratada para um datacenter em obra na cidade dele. O crédito de trajeto subira durante a noite. A chama industrial, longe dali, cobrava passagem em Buritaçu com a mesma precisão com que a lavra de terras raras cobrava sombra das plantas. Ilva raspou a crosta do primeiro fio. A terra soltou em placas pequenas. No segundo, encontrou uma película escura, endurecida pelo calor. Precisava limpar sem romper o revestimento. Se o filamento partisse, a soleira abriria um chamado de troca e a empresa teria autorização para entrar. Nael trouxe uma tigela com duas colheres de água reservada para Antônio. Ela olhou a tigela. Uma colher bastaria. A ponta da ponteira ficou úmida. Ilva passou o metal pelo fio, devagar, removendo a película sem encostar no núcleo. O amarelo do sensor oscilou. O homem se mexeu na captura, como se tivesse ouvido a madeira abrir. Você está aí, ele perguntou. Estou. O modelo ofereceu uma resposta mais longa, pronta para ocupar o silêncio. Ela deixou as palavras preditas apagarem na pele. Nael se agachou perto dela. A luz do painel pegou no rosto dele e mostrou a poeira acumulada junto às orelhas. Por alguns segundos, acompanhou o trabalho sem falar. Depois perguntou se ela queria que ele assumisse a voz. A análise quer duas pessoas, disse ela. Sua presença já vale por mim. E a dele. Ilva terminou o segundo fio. O amarelo ficou imóvel. Restava o terceiro, esmagado pela borda da placa. Ela soltou dois parafusos de fixação, levantou o aro menos de um dedo e puxou o filamento com a ponteira. O revestimento esticou. A madeira rangeu. Nael segurou a placa com as duas mãos. O homem começou a falar sobre a viagem. Havia uma conexão saindo antes da primeira luz, depois outra, mais cara, que exigia saldo de preparação térmica além da reserva retida. Ele não pediu dinheiro. Contou o preço como quem mostra uma ferida sob a roupa. Ilva encaixou o fio no trilho. O sensor ficou azul.
A soleira reconheceu duas presenças contínuas. A análise humana perdeu o direito de chamar a conversa de serviço. Em seguida, outra notificação subiu pela parede. Manutenção local identificada. Cobrança de integridade doméstica vinculada ao endereço de Antônio. Ela fechou a placa sem apertar demais os parafusos. A linha branca na mão continuava aberta. Nael levou a tigela de volta para a mesa. O homem, na captura, perguntava onde encontraria Buritaçu quando chegasse. Ilva olhou o quintal, a tela baixa, a lagarta parada no metal. Você vai ver a casa antes de ver a estrada, respondeu.
Energia e água
| Geração | 73.392 tokens em 4 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~147 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 61 Wh só na placa de vídeo (4090) | medido na GPU |
| Tradução | ~6.648 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |