2047: Arquivos do depois de antes
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CAPÍTULO 102 · PRÉVIA

A ESTEIRA DE FIBRA

Prévia, ainda não impresso

As saúvas já tinham alcançado o fundo do quintal quando Valdo puxou uma esteira de fibra de sob a mesa externa e a abriu sobre a terra. A sombra caiu torta, estreita, mas as operárias mudaram de direção em poucos minutos. Vinham da fresta junto à porta, carregando larvas, barro úmido e lascas da porção de Antônio. A muda de pequi permanecia cercada pela tela rompida, com dois talos verdes inclinados para o lado onde o sol batia mais tempo. Nael ajoelhou, mas logo apoiou as mãos no chão e se ergueu de novo. Tirou uma placa solta da cobertura do alpendre e a encostou na base da parede de adobe. Fez uma passagem de sombra entre a casa e o canteiro morto onde Valdo plantara cheiro-verde antes de vender água pela estrada. Elas vão sair por aqui, disse Valdo. Vão para onde. Para baixo da cozinha, se a terra estiver menos quente. Nael olhou a fresta. O formigueiro não havia escolhido a casa por abrigo. A camada enterrada respirava calor pelos cabos e pelas rachaduras antigas. As máquinas do datacenter puxavam água da mesma bacia, devolviam vapor acima dos telhados e deixavam sob o quintal uma temperatura que deslocava bicho, raiz e gente. Uma faixa laranja apareceu no painel corporal de Valdo. Ele não levantou o braço. A projeção desceu sozinha sobre a poeira. Contenção biológica prevista para o escuro. A empresa de aluguel usara o mapa de caminhada de Nael, a lente da coleta e o trajeto das saúvas para alimentar um modelo de inteligência artificial. O modelo desenhara três pontos de aplicação de isca. Um deles caía exatamente onde a fresta abria para a camada soterrada. Se eles botarem isso aqui, falou Nael, a rainha morre embaixo da casa. Valdo continuou segurando a esteira. O corte no pescoço repuxou quando ele inclinou a cabeça. E a equipe diz que a colônia veio da residência de Antônio. Já disse que a casa não era dele. Você disse o nome dele primeiro. A esteira rangeu entre as mãos dos dois. As saúvas passavam abaixo, em fila apertada, tropeçando nos grãos de areia quente. Uma carregava uma folha que não existia mais na muda, arrancada dias antes e guardada no fundo do ninho como se o verde pudesse sobreviver por empréstimo. Nael afastou a placa da cobertura e mudou seu ângulo. A sombra avançou meio palmo. A curva de cima entra por trás do depósito, disse. Valdo não respondeu. Tem um desnível depois do buriti seco. A máquina passa se vier vazia. Com carga, afunda. Você guardou isso desde a estaca. Guardei. Para cobrar de mim depois. Nael passou a sola da sandália na terra e apagou uma linha de formigas que já tinha se desfeito. O outro homem esperou. Havia entre eles a porção perdida, a aposta da chuva, a rota entregue pela metade, a casa que ambos ajudavam a manter invisível e o nome de Antônio posto no lugar errado. Você leva a equipe por lá, disse Nael. Diz que a trilha saiu do quintal. Eles vão procurar a rainha no barranco. E Antônio. Você fala com ele antes. Valdo soltou a esteira por um instante. A fibra caiu sobre parte da trilha, e as formigas se acumularam, procurando luz nas bordas. Eu não vou contar só que você falou o nome. Vai contar tudo. Até a casa enterrada. Até a casa enterrada. Nael pegou a placa e a firmou entre duas pedras. A passagem de sombra ficou contínua até o canteiro.

As saúvas começaram a atravessá-la, primeiro as menores, depois as que levavam larvas. Valdo voltou a segurar a esteira, agora com as duas mãos, e viu a linha engrossar. Se Antônio quiser me tirar daqui, disse ele, eu vou. Ele vai querer saber por que você deixou eu entrar na poligonal. Porque eu precisava da rota. Porque você precisava que eu fosse junto. Valdo deixou a frase cair no quintal. A terra respondeu com um ruído baixo, vindo de baixo da casa, como se alguma coisa raspasse a camada seca. Nael se aproximou do portão. Parou junto ao buriti sem folhas, onde a casca tinha aberto em tiras duras. Apontou para o norte, depois para o terreno atrás do depósito. A curva de cima começa ali. Você leva quem vier até o barro vermelho e para antes da pedra oca. Valdo repetiu o caminho em voz baixa, guardando as curvas no corpo, como Nael fazia. Depois puxou a esteira mais para fora, alongando a sombra até o limite do quintal. As saúvas seguiram por baixo dela, levando a rainha para longe da fresta que a empresa chamaria de prova.

Energia e água

Geração44.165 tokens em 3 chamadas ao modelomedido
Água~88 ml na geração, 2 ml por mil tokensestimado
Vídeo61 Wh só na placa de vídeo (4090)medido na GPU
Tradução~6.050 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic)estimado
Impressãoimpressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora
Como a conta é feita ↗