A PANELA RASA
O prato pequeno continuava sobre a projeção, quente de sol num lado, frio no outro. Debaixo dele, a reconstrução esperava a íris de Nael e deixava passar uma luz azul pela borda, fina como uma unha. Valdo separou a massa de milho em quatro pedaços desiguais. O maior ficou perto de Nael. Antônio ainda não voltara, mas sua parte foi posta numa tampa rasa, coberta por outra tampa. Ilva sentou no batente do alpendre, a perna estendida, e desamarrou o pano que envolvia o espelho frio. A tela escura devolveu o rosto dela sem pedir face, sem pedir voz. A empresa de aluguel enviou a versão pronta do percurso às cinco e dezessete. Ela começava na estaca partida, descia pela curva de cima, atravessava a faixa onde a roda d água trabalhara e terminava num vazio técnico. O vazio tinha perímetro, temperatura, inclinação e custo previsto de remoção. A casa enterrada cabia inteira dentro daquela palavra. Eu escrevo a versão recebida num canto que não alimenta confirmação alguma. A empresa de aluguel entregou uma sequência sem moradores, sem pá de madeira, sem o milho de três famílias moído junto ao Lajes. Retiro dela a palavra vazio e deixo o defeito à vista, uma linha que termina antes de dizer o que encobriu. Nael comeu de pé. A massa ainda soltava vapor fraco, e ele a segurava pelas bordas, mudando o alimento de mão quando o calor apertava. Valdo mastigava devagar, com o indicador coberto junto ao peito. A membrana tinha uma mancha amarela no centro. Confirma logo, disse Valdo. Nael olhou para o prato sobre o painel. Se eu confirmar, eles vêm cavar. Se não confirmar, perguntou Ilva. A luz azul aumentou um grau. A empresa oferecia substituição assistida por memória contratada. Antigas rotas vendidas por Nael, imagens internas compradas da operação mineral, declarações feitas quando ele ainda recebia por metro de caminho seriam comparadas até produzir um percurso suficiente. O serviço custaria a ele disponibilidade integral por vinte dias. Durante esse tempo, qualquer deslocamento fora da casa exigiria chamada prévia e acompanhante aceito pelo consórcio. Eu sei onde a versão fecha depressa demais. Apago a equivalência entre a curva e o buraco técnico, devolvo à paralela a medida da roda e a distância entre a água e a porta soterrada. A correção não protege o chão. Só impede que a mentira chegue lisa. Ilva puxou o prato. O painel buscou a face de Nael no mesmo instante. Recuso, disse ele. A resposta entrou como se estivesse esperando havia anos. Recusa registrada. A empresa de aluguel manteve a reconstrução ativa e transferiu o reconhecimento para coleta presencial de memória material. Uma equipe viria quando houvesse janela de acesso, sem horário, sem obrigação de avisar quem morava acima da camada. Valdo deixou a metade da massa no prato de Antônio. Vão trazer máquina, disse. Vão trazer gente primeiro, respondeu Nael. Eu me lembro da versão que aceitei antes de encontrar a roda. Ela dizia erosão residual. Tiro essa expressão do meu volume e deixo a frase interrompida, com a terra aparecendo por baixo. Ilva enrolou o espelho frio no pano. Não o escondeu sob o braço. Colocou-o dentro da panela rasa, sob a tampa destinada a Antônio. A comida ficou sem lugar. Eu guardo também essa troca. A empresa recebeu uma recusa. O vale recebeu uma panela que pesava mais do que o milho. Nael limpou os dedos na calça, passou pelo moinho rachado e saiu pelo quintal. Não tomou a direção do acesso norte. Caminhou até a muda de pequi, abaixou a tela atravessada pelas saúvas e começou a arrancar da terra os fios secos que marcavam o caminho das formigas.
Energia e água
| Geração | 41.665 tokens em 3 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~83 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 61 Wh só na placa de vídeo (4090) | medido na GPU |
| Tradução | ~5.045 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |