A CUNHA SOBRE A MASSA
Quarenta e oito minutos separavam a notificação da entrada autorizada no quintal. O painel do bar desenhou um retângulo amarelo sobre a terra irregular e pediu que os ocupantes retirassem dali animais, comida e bens afetivos. Valdo leu até o retângulo alcançar a muda de pequi. Eles vão tirar a planta, disse. Nael estava sentado no degrau com duas porções diante dele, a de Antônio coberta, a outra partida ao meio. Empurrou uma metade para Valdo. A aposta da chuva vencera sem chuva, mas ele havia esperado dois dias para cobrar. Come. Perdi, respondeu Valdo. Por isso mesmo. Entre ambos, a muda recebia colheres. Ilva ergueu a tela que cercava o pequi. O painel recalculou o perímetro ao reconhecer sua mão perto da planta. Bem afetivo identificado. Remoção voluntária disponível por trinta e nove minutos. Nael levou a porção à boca sem morder. Quando era pago para guiar as escavadeiras, marcava os caminhos com ramos quebrados. Recebia por metro aberto e ganhava mais quando uma passagem antiga desaparecia sob a esteira. O primeiro refrigerador de Antônio saíra desse dinheiro. Durante três noites, os dois o mantiveram escondido sob a mesa, esperando a janela de acesso doméstico em que o motor funcionava, para ouvi-lo e imaginar bebidas frias que ainda não podiam comprar. Valdo mordeu a massa. Deixou a parte restante no degrau entre os dois. Se a gente tirar a muda, eles sabem que tem coisa embaixo. Se deixar, levam. A câmera da fachada acompanhou o movimento de suas bocas. Eles mastigaram em silêncio até o painel anunciar vinte e nove minutos. Ilva trouxe uma panela funda sem uso desde a suspensão da cozinha. Ela mediu com os dedos a distância entre o caule e a borda. Não arranca, disse Nael. O retângulo amarelo pulsou novamente. A prestadora acrescentou uma condição. Qualquer alteração do solo antes da coleta seria tratada como interferência na investigação da contaminação histórica. Restavam vinte e três minutos para declarar preservação espontânea. A declaração exigia manter o quintal livre de presença humana por seis horas. Valdo se levantou. A membrana do indicador clareou quando ele fechou a mão, mas não o impediu. Pegou a metade que deixara no degrau e colocou-a sobre a porção de Antônio. Fica com a planta, falou. Eu mostro a curva curta outra vez. Nael virou o rosto para ele. Você já perdeu o reservatório por essa curva. Valdo levou dois dedos ao peito. Dezesseis minutos. Nael retirou do bolso a cunha de buriti. Apertou a madeira na palma, depois a colocou sobre a massa reservada para Antônio.
O painel não reconheceu valor no objeto. Você não sabe a curva inteira, disse. Ilva baixou a tela ao redor do pequi. Ela puxou a panela para longe e abriu passagem até a porta dos fundos. Aos nove minutos, Valdo ofereceu a face à câmera e declarou que acompanharia a coleta fora do quintal, na estaca partida. A prestadora aceitou o deslocamento provisório. Se ele não chegasse antes da equipe, a autorização original voltaria a valer, acrescida de custo por mobilização inútil. Nael pegou a outra metade da porção e a enfiou na mão dele. Os dois saíram. No limite da rua, Valdo tomou a direção da estaca, e Nael caminhou ao lado dele, meio passo atrás.
Energia e água
| Geração | 58.750 tokens em 5 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~118 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 61 Wh só na placa de vídeo (4090) | medido na GPU |
| Tradução | ~4.505 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |