2047: Arquivos do depois de antes
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CAPÍTULO 083 · PRÉVIA

A RAIZ E AS SAÚVAS

Prévia, ainda não impresso

O ruído veio debaixo da tigela, uma raspagem miúda que Ilva confundiu com terra cedendo. Quando levantou a borda, encontrou a semente de pequi erguida sobre a raiz branca e uma coluna de saúvas cortando a primeira folha. Uma delas já descia com um pedaço verde maior que o próprio corpo. Nael chegou da poligonal enquanto ela afastava as formigas com a colher de madeira. Trazia poeira amarela até os joelhos. Sentou-se no chão do quintal e puxou a tigela para perto. Tem de tirar daqui, disse. A raiz tocava o fundo e se curvava contra a cerâmica. Ilva procurou um lugar menos seco junto ao alpendre. Nael recusou com a cabeça. Ali o sol da manhã queimava antes do meio-dia. Atrás do bar havia sombra, mas o solo endurecera desde que os dutos do armário de vigilância passaram sob o terreno. Anos antes, ele e Antônio arrancavam dali pés de carrapicho das canelas depois do jogo. Agora a terra rachava ao redor do cabeamento, e os insetos seguiam pelas fendas em direção ao pouco que brotava. Valdo apareceu na entrada sem o reservatório. A poligonal ainda acendia atrás dele, azul entre as casas. Vamos, disse. A curva de cima. Nael apoiou a mão no chão para levantar. A sandália escorregou na trilha das saúvas, esmagando três. As outras desviaram e alcançaram a folha pelo lado oposto. Em menos de um minuto, restava metade. Você fica, disse Ilva. Eu levo a muda para a sombra. Ele olhou para ela, depois para Valdo. Eu prometi. Com esse joelho você não volta antes de escurecer. Nael começou a responder, mas Ilva já havia passado a colher sob a raiz. A terra se desfez. Um filamento claro ficou exposto ao ar quente, fino como cabelo. Ela o cobriu com a palma e pediu a Valdo que esperasse. Ele mostrou o pulso. A prioridade de transporte diminuía enquanto a empresa de aluguel redistribuía os veículos. Tinha ouvido no pátio que o primeiro lote de ímãs refinados fora aceito por um comprador de longe. Desde então, toda carreta capaz de atravessar a estrada alta estava sendo chamada para a carga nova. Talvez fossem ímãs, talvez peças prontas. O homem que contou só sabia que os caminhões de água perderiam lugar. Cinco minutos, disse Ilva. Você não decide o tempo dele, respondeu Valdo. Ela levou a muda para dentro. Nael permaneceu entre a porta e o quintal, com a promessa puxando de um lado e a raiz descoberta do outro. Quando entrou, Ilva já havia aberto no espelho frio a sequência em que ele descrevera as duas curvas. Queria conferir um trecho antes que o calor matasse a planta. Fez a gravação recuar, ouviu parede de terra, poste torto, casa enterrada. Nael estendeu a mão para o coletor. Isso não leva ninguém pelo caminho. Preserva o que você disse. Valdo chamou outra vez. Sua voz chegou junto com a notificação de perda de prioridade. A empresa destinara o veículo dele ao transporte de componentes para a infraestrutura de inteligência artificial. O reservatório alugado seria recolhido no próximo intervalo, e a busca de Antônio desapareceu da faixa de viagens possíveis. Ilva ouviu. Continuou procurando no arquivo a frase sobre a curva de cima. Nael saiu sem a muda. Valdo já atravessava a rua, a alça dobrada presa à cintura. Não pediu a segunda curva. Ao passar sob a câmera de rastreamento, levantou o rosto para que a empresa soubesse onde recolher o que ainda lhe pertencia. No quintal, Ilva abriu uma cova junto à sombra curta do alpendre. Nael voltou e segurou a terra enquanto ela acomodava a raiz. Nenhum dos dois falou de Antônio. As saúvas alcançaram a cova pelo cabeamento exposto, contornaram os dedos de Nael e subiram pelo caule partido.

Energia e água

Geração34.503 tokens em 2 chamadas ao modelomedido
Água~69 ml na geração, 2 ml por mil tokensestimado
Vídeo61 Wh só na placa de vídeo (4090)medido na GPU
Tradução~5.239 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic)estimado
Impressãoimpressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora
Como a conta é feita ↗