A FOLHA DE PEQUI
A luz da tarde entrava baixa no bar quando a faixa de Valdo abriu um aviso sobre o balcão. Ele estava sentado diante das caixas recusadas, raspando com a unha uma crosta de poeira da alça dobrada. Nael permanecia no quintal, perto da muda de pequi, espantando saúvas com um ramo seco. A empresa de aluguel exigia confirmação de rota até o próximo intervalo. Os veículos que gastassem menos carga nas subidas seriam mantidos na frota de abastecimento. Os outros seguiriam para conversão térmica, emprestados ao consórcio do datacenter para levar peças de resfriamento. A faixa reduziu o desenho do trajeto a uma linha verde. O corpo de Valdo aparecia como fonte do trajeto, suas passagens anteriores alimentariam a predição de caminhos mais curtos. Faltavam dezoito minutos. Se ele recusasse a leitura, o recolhimento do reservatório seria antecipado. Se aceitasse sozinho, a empresa trataria a parede de terra como falha dele e apagaria a curva de cima da rota possível. Valdo levantou o rosto. Você sabe onde passa. Nael entrou devagar, trazendo na ponta do ramo uma saúva agarrada a uma folha partida. Deixou o inseto no chão, longe da muda. O pequi tinha duas folhas mordidas, uma delas pendurada por um fio verde. Atrás do bar, onde ele e Antônio corriam atrás da bola, o terreno seguia duro sob os cabos enterrados. A mineração tinha retirado a sombra mais antiga, depois vieram os dutos e o datacenter, com suas máquinas aprendendo a gastar menos eletricidade para pedir mais minério à terra. A faixa de Valdo reduziu o prazo em mais um minuto. Mostra a curva, disse Ilva. Ele olhou para o fundo do bar, onde o espelho frio continuava aberto sobre a sequência gravada. A tela antiga guardava a voz dele dizendo poste torto, parede de terra, casa enterrada. A concessionária não alcançava aquele aparelho, mas o bar inteiro tinha câmeras de rastreamento, e a boca de Nael seria uma entrada mais limpa para a empresa do que qualquer coletor. Nael passou o polegar pela casca seca do ramo. Se você não falar, eles tiram meu veículo, respondeu Valdo. Nael olhou para a porta dos fundos. Nael segurou o ramo com força. A ponta seca se quebrou entre seus dedos. Ilva não se aproximou dele. Mexeu apenas na tigela vazia, afastando-a da beira da mesa, como se abrisse lugar para alguma coisa que ainda não coubesse ali. A faixa projetou uma solicitação de confirmação oral. Valdo pôs a palma sobre o próprio pulso. A câmera acima do balcão baixou o foco. Nael foi até a porta. Do lado de fora, o buriti da curva de baixo aparecia além das casas, uma haste cinza com a tira verde presa no alto. Ele descreveu a subida até o poste torto, a vala onde o veículo enterrado dormia sob a terra, a marca das estacas antigas. Parou antes da casa. A câmera aguardou. Tem mais, disse Valdo. Tem gente embaixo, respondeu Nael. A solicitação fechou por insuficiência de detalhe. A empresa de aluguel registrou rota incompleta e manteve o recolhimento no próximo intervalo. Também abriu uma cobrança nova no perfil de Valdo, mapeamento inconcluso, descontada de cada entrega futura. Ele não discutiu. Saiu do bar e ficou junto ao reservatório, sem tocar nele. No quintal, as saúvas voltaram pelo cabeamento exposto. Uma carregava a metade de uma folha de pequi, erguida sobre o dorso como uma vela verde.
Energia e água
| Geração | 47.293 tokens em 4 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~95 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 60 Wh só na placa de vídeo (4090) | medido na GPU |
| Tradução | ~4.812 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |