2047: Arquivos do depois de antes
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CAPÍTULO 081 · PRÉVIA

A PONTA BRANCA

Prévia, ainda não impresso

Valdo voltou quarenta e sete minutos depois da primeira luz. A faixa vermelha havia sumido do braço, e o reservatório permanecia preso às costas, vazio, pertencendo ainda à empresa de aluguel. Deixou-o no quintal sem tocar na válvula. Depois entrou no bar e colocou sobre a mesa duas caixas pequenas de alimento térmico, amassadas nas bordas. Entreguei seis, disse. Nael contou as caixas que haviam retornado. Essas recusaram. Por quê. A leitura disse que meu corpo aqueceu a carga. A camisa de Valdo estava escura nas costas. A linha aberta junto ao pescoço sangrara outra vez, formando uma crosta irregular. Ele tinha carregado as caixas nos braços durante o trecho em que o veículo não atravessava. A rota indicada por Nael terminava diante de uma parede de terra cortada. Do outro lado ficava a estação provisória. Valdo descera pela vala, passara as seis caixas uma a uma e subira agarrado às raízes secas. Ilva tirou a tampa da tigela plantada. A fenda alcançava agora a semente. Nenhum broto. Ela recolocou a tampa e empurrou uma das porções abertas para Valdo. Isso é de Antônio, disse Nael. Se ele voltar hoje, dou a minha. Você não tem. Valdo se sentou. A mesa estava mais alta de um lado, e uma das caixas recusadas deslizou até bater no punho dele. A superfície da embalagem indicava descarte por contato térmico. Dentro havia barras compactas de mandioca, sal e proteína cultivada, comida bastante para dois dias de estrada. O invólucro continuava selado. Ilva aproximou a colher de madeira da borda, sem abrir. Se ficou ruim para as máquinas, serve para gente, disse Valdo. Serve até a vistoria encontrar. Ele puxou a caixa de volta. Não tinha fome suficiente para perder o direito de entrar ali. Nael tomou a pedra clara do parapeito e a colocou no centro da mesa. Valdo encontrou a escura no bolso, coberta de poeira da vala, e pousou-a ao lado. Durante muitos anos, os dois haviam apostado chuva por companhia. O perdedor demorava no bar, ajudava a virar a massa, escutava Antônio contar de novo o mesmo lance no campo antigo. A máquina preditiva eliminara o acaso sem acabar com o jogo. Você sabia que a passagem acabava, disse Valdo. Sabia. E me mandou por ela. Mandei pela que não afunda com peso. Valdo apertou a caixa recusada. A parede fina cedeu sob os dedos e recuperou a forma. A outra era mais curta. Era. O silêncio ganhou três minutos. Lá fora, uma câmera de rastreamento acompanhou duas crianças que corriam atrás de uma sombra de pássaro. Quando elas saíram do alcance, a lente voltou para a porta do bar. Valdo abriu a porção reservada. Comeu um grão, depois outro. No terceiro, partiu a massa seca com os dentes e deixou metade sobre a mesa. Na curva de baixo tinha um veículo enterrado, disse. Só aparecia a cobertura. Nael virou a pedra clara. O lado escuro ficou para cima. Foi ali que eu abri caminho para a primeira sondagem. Ilva permaneceu junto ao fogareiro. Ela sabia que Nael recebera por metro, que apontara pedras ocas, que mostrara onde a máquina podia entrar sem tombar. Faltava a Valdo aquele pedaço. Durante a entrega, ele encontrara no corte da terra uma sequência de estacas antigas, comidas pela ferrugem, e reconhecera a mesma direção que o homem escondera com o pé no quintal. As estacas apontavam para o seu quintal, falou Valdo. Vendi. Agora vende metade para mim. Nael levantou o rosto. Se continuar me dando pedaço, um dia eu entro onde você não quer e levo caixa para cima de alguém. Nael empurrou a pedra escura para ele. Ao escurecer, eu mostro as duas curvas a pé. Valdo não pegou a pedra. E depois. Depois você escolhe sem me perguntar. Isso me deixa devendo. Deixa. O que você quer. Nael olhou para a tigela coberta, para a porção de Antônio e para o lugar vazio atrás do balcão. Tirou da caixa recusada uma barra selada e colocou diante de Valdo. Quando Antônio voltar, você traz ele até aqui. Sem cobrar passagem. Valdo passou o polegar sobre o invólucro. Antônio poderia voltar naquele dia ou dali a muitas semanas, por uma estrada que aumentava o preço conforme o passageiro se aproximava de casa. Se eu ainda tiver veículo. Com o que tiver. Valdo recolheu a pedra escura e fechou a mão. Então você vai comigo hoje. Caminho inteiro. Nael assentiu. Um carregaria a memória que o outro vendera, o outro traria para casa um homem que ainda não escolhera voltar. No quintal, sob a tigela, a casca da semente havia se aberto. Uma ponta branca avançava pela terra seca, curva e fina, procurando a colher de água que já não estava ali.

Energia e água

Geração50.924 tokens em 4 chamadas ao modelomedido
Água~102 ml na geração, 2 ml por mil tokensestimado
Vídeo61 Wh só na placa de vídeo (4090)medido na GPU
Tradução~6.569 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic)estimado
Impressãoimpressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora
Como a conta é feita ↗