2047: Arquivos do depois de antes
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CAPÍTULO 077 · PRÉVIA

A COLHER MOLHADA

Prévia, ainda não impresso

Nael já havia distribuído a água quando Ilva entrou. Duas tigelas junto ao fogareiro, uma caneca perto da porta, a quarta tigela invertida sobre os grãos que Antônio deixara abertos. No fundo da panela, a medida alcançava menos de dois dedos. Ele colocou a concha na porção menor. Essa é sua, disse. Ela mudou a concha para a maior. Ilva bebeu metade da tigela maior. Parou. Passou o restante para a caneca junto à porta. Ele pode demorar, disse Nael. Por isso mesmo. Na casa, a água de quem viajava permanecia intocada até o retorno ou até alguém dizer diante dos outros que a espera terminara. Depois vieram as viagens perdidas, as estradas tarifadas e as vagas calculadas pelo corpo. Uma caneca podia envelhecer dois dias sem perder o dono. Nael abriu o compartimento de mantimentos. Havia três porções conservadas e uma aberta, já opaca nas bordas. Ele despejou parte dos grãos na tigela invertida e cobriu de novo. O preço projetado no armário doméstico havia subido pela terceira manhã seguida. O filtro mineral usado na conservação custava agora o equivalente a seis refeições. No mês anterior, custava quatro. O processador de longe, dono das etapas que limpavam e separavam o minério, restringira a entrega. Os compradores que durante décadas haviam preferido importar barato disputavam a mesma carga. Em Buritaçu, essa disputa cabia numa película que já não seria trocada. Nael empurrou uma porção selada para o fundo. Essa fica para ele. E se a vistoria abrir. A gente come a aberta primeiro. Ela olhou a tigela coberta. A semente rachada ainda estava entre os grãos. Antônio usara comida para fabricar uma aparência de estoque e proteger a voz dela. Agora viajara deixando a própria refeição sob uma mentira doméstica. Eu sei quanto custou essa frase. A máquina preditiva da casa indicava calor crescente, mas ninguém consultou a hora. Pelos vãos do telhado, a luz avançava sobre o chão em quatro faixas estreitas. Quando a terceira alcançou a caneca reservada, uma vespa pousou na borda, procurou umidade e caiu dentro. Ilva a retirou com a concha. O inseto ficou de costas, as pernas movendo o ar. Nael aproximou uma fibra seca até que ela se agarrasse e a levou ao peitoril. Ele voltou com uma das sementes na mão. Vai gastar água nisso, disse ela. Uma colher. Nael afundou a semente numa tigela com terra retirada da base do pequi. O solo se partiu em placas pequenas. Ilva segurou a caneca de Antônio, inclinou apenas o necessário e deixou cair uma colher. A terra escureceu num círculo que não alcançou a borda. A segunda colher teria molhado a semente inteira. Ela endireitou a caneca. Nael esperou. Depois cobriu a rachadura com terra seca. Guardou as outras três sementes no compartimento mais baixo, onde o calor chegava menos. Na rua, uma carreta de concentrado passou devagar. Dentro da cozinha, a colher molhada secou em menos de um minuto. Ilva repartiu os grãos abertos em duas tigelas. Deixou a terceira vazia. Nael sentou diante dela e não comeu. A mensagem pode ter chegado, disse ele. Só Antônio pode ouvir. E se ele voltar sem coragem de abrir. Ela aproximou a tigela vazia da caneca reservada. Nael tocou a terra com dois dedos, sentindo se a primeira colher descera. A marca úmida já diminuía.

Energia e água

Geração85.833 tokens em 7 chamadas ao modelomedido
Água~172 ml na geração, 2 ml por mil tokensestimado
Vídeo61 Wh só na placa de vídeo (4090)medido na GPU
Tradução~4.723 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic)estimado
Impressãoimpressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora
Como a conta é feita ↗