A FITA AZUL
A luz das quatro caiu sobre o quintal sem trazer sombra suficiente. A bola continuava sobre a tigela do filho, e a porção aberta já perdera o brilho de conservação, grãos secos espalhados em volta da semente rachada como se alguém tivesse tentado semear dentro de casa. Nael voltou pela lateral do bar. Trazia as quatro sementes no bolso e uma fita azul acesa junto ao pulso, aviso de deslocamento coletivo. Parou diante do refrigerador aberto, olhou o motor calado, depois procurou Antônio. Tem vaga na carreta de passageiros, disse. Sai pela estrada alta. Antônio não perguntou para onde. A capital aparecia no painel doméstico como um ponto distante, com a presença do filho apagada havia duas horas. A fita no pulso de Nael mostrava três assentos disponíveis e um valor que aumentava a cada respiração do cronômetro. Ilva tirou a bola de cima da tigela. A luz do ponto reapareceu entre os grãos. A outra viagem chegou, ela disse. Ele ficou de pé devagar. Os dedos queimados agarraram a borda da bancada, soltaram, voltaram a agarrar. A vistoria ainda pulsava em âmbar no visor do bar. Presença presencial pendente. Antônio olhou o aviso, depois a estrada que começava depois do alpendre. Encostou o indicador no âmbar e deixou a marca da digital apagar devagar. Nael virou o pulso para ele. A fita azul desceu mais um número. A frase ficou sobre a cozinha quente. Do lado de fora, as folhas do pequi que resistia junto ao muro tinham virado a face clara para cima. Antes, Nael dizia, aquela árvore dava sombra para três crianças e uma bola. Agora a copa terminava antes da parede dos dutos, e o chão sob ela tinha a cor do pó que saía dos caminhões. Ilva abriu a guarda temporária. A mensagem de quarenta e três segundos apareceu inteira, bloqueada para apagamento e envio. O terminal reconheceu sua face. Depois procurou a confirmação de Antônio. Ele não aproximou o rosto. A carreta parou na rua alta. Veio sem buzina, trazendo no teto uma faixa de navegação que riscava os adobeiros e os armários de serviço com luz branca. Duas mulheres desceram para trocar lugar com gente que não tinha ido. Uma delas carregava um menino dormindo preso ao peito por uma faixa. O menino tinha a boca aberta, seca nas bordas. Nael entrou no quintal e pegou a bola. Vou deixar isso com a semente, disse. Você vai também, perguntou Antônio. Eu vou até a soleira. Nael guardou a bola sob o braço. A fita azul reduziu uma vaga. Depois duas. A carreta calculava desistências antes que elas ocorressem. Antônio atravessou a cortina térmica. Ilva foi atrás com o terminal recolhido. Na porta, o piso da casa encontrava a terra do quintal numa faixa estreita de cimento rachado. A câmera de rastreamento acima do alpendre acompanhou os dois até ali, então abriu uma superfície de passagem no ar. Saída residencial. Retorno sujeito a prioridade de vistoria. Antônio leu a condição. O bar manteria a cozinha suspensa, a inspeção receberia novo horário e a vaga no transporte exigiria que ele entregasse a presença corporal antes dos próximos quarenta segundos. Nael ficou do lado de fora da marca luminosa. Ele não vai voltar hoje, disse Ilva. Antônio fechou os olhos por um instante. A mensagem esperava entre os dedos dela, uma fala que ele tinha composto quando ainda imaginava chegar com comida à porta do filho. Manda, ele disse. A ordem saiu baixa, mas a superfície a reconheceu. Ilva levou o terminal até o campo de envio. A confirmação pediu a face dela, porque a guarda era sua. Pediu a face dele, porque a voz era dele. Os dois se inclinaram para a mesma luz. A mensagem partiu. O ponto da capital demorou quatro segundos para mudar. Depois deixou de ser presença e virou recebimento pendente. Antônio respirou pela boca. A carreta reduziu outra vaga. Ilva passou primeiro pela soleira, não para acompanhá-lo até a estrada, mas para devolver ao dono da casa o que ela carregava. Do lado de fora, a autorização doméstica caiu de seu perfil. A tigela do filho perdeu o brilho no terminal dela. Antônio recebeu de volta o acesso de ouvir, sem o poder de apagar. Nael entregou a bola a Ilva. Guarda isso até ele voltar, disse. A carreta abriu a porta. Antônio entrou quando restavam seis segundos. A luz de passagem se fechou atrás dele, deixando a poeira do quintal subir devagar sobre a faixa de cimento. Nael olhou para a estrada, depois para Ilva. Se ele responder antes de chegar, você não escuta.
Energia e água
| Geração | 47.709 tokens em 4 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~95 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 61 Wh só na placa de vídeo (4090) | medido na GPU |
| Tradução | ~6.409 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |