TRÊS CÍRCULOS NA CHAPA
Antônio rastejou ao lado da raiz até a água perder força sob o peito. A passagem apertava no ombro esquerdo e terminava numa chapa vertical, enterrada pela metade no barro. Sobre o metal, três círculos de leitura acenderam quando ele aproximou o rosto. A concessionária chamava aquilo de antecâmara de contingência, um vão de serviço que separava o traçado reconhecido da área onde a mina podia negar presença humana. A face dele apareceu reduzida na chapa. A visita prosseguia. Faltavam dezesseis minutos para o canal com o filho fechar. Do outro lado da terra caída, Célia bateu duas vezes com a colher contra a pedra. O som chegou fraco, cortado pela água. Antônio respondeu com a unha na chapa. Nael conhecia aquela troca dos trabalhos de sondagem, quando homens se perdiam a poucos metros uns dos outros e a empresa anotava apenas atraso de produção. A leitura pediu confirmação de travessia. Quem passasse pela antecâmara deixaria de contar como visitante e entraria como responsável local pela continuidade do traçado. A mudança vinha escrita em letras pequenas, abaixo do perfil de Antônio. Ele poderia concluir a vistoria, alcançar a caixa de coleta e responder pelo caminho. Não voltaria a ser testemunha na revisão territorial do amanhecer. Antônio limpou barro da boca. Chamou Ilva. A voz dela saiu do visor de Célia, junto à fenda fechada. A concessionária enviara a solicitação para o perfil dela, porque Ilva constava como responsável pela formação da visita. Havia duas escolhas abertas. Manter Antônio do lado de fora e encerrar a vistoria por impedimento de rota. Autorizar a travessia e fixar nele a responsabilidade técnica por qualquer falha encontrada adiante. Célia aproximou o visor do rosto. Se ele entra assim, disse, o que ele vir vai valer contra ele. Ilva olhou para a tela. Sob as duas opções havia uma terceira linha, quase apagada. Transferir a condição de responsável para a testemunha independente disponível. O painel já reconhecia Célia pelo perfil da visita. Bastava a autenticação da íris dela junto à câmera do corredor. A mulher junto à fenda ergueu o visor. A luz azul alcançou sua face. Ilva segurou o braço dela antes da leitura. Se Célia assumisse a travessia, a concessionária anexaria a confirmação tardia da jornalista ao processo. A hora de chegada que Ilva preservara no espelho frio deixaria de provar presença civil e passaria a ser evidência de adesão operacional. A redação, que já lhe tomara a pauta, ganharia uma razão limpa para apagar de vez o nome dela. Mantém você, disse Ilva a Antônio. Célia baixou o visor devagar. A luz cessou na face dela. Não discutiu. Pegou a panela vazia e a colocou entre os joelhos, como se o metal ainda pesasse alguma coisa. Antônio fechou os olhos por um segundo. Depois ofereceu a íris à chapa. A antecâmara aceitou sua travessia. O metal recuou para dentro da parede, deixando passar um corpo de cada vez. Quando ele atravessou, o painel da concessionária retirou seu nome da coluna de visita e o colocou na coluna de manutenção territorial. A porta fechou atrás dele. Do lado oposto havia uma caixa de coleta presa a um duto grosso, coberta por uma crosta cor de ferrugem. A água chegava ali por baixo, em golpes curtos, e escapava por uma abertura que descia para a faixa da mina. Antônio encostou a mão na carcaça. Uma tela se abriu sobre o metal e informou que a amostra poderia ser feita por ele, desde que aceitasse a custódia do resultado por quarenta dias. A mensagem do filho reapareceu junto ao aviso. Restavam oito minutos. Ele gravou sem olhar para a caixa. Eu posso falar agora. Estou no trabalho, mas posso. A resposta não veio de imediato. Antônio respirou pela boca, esperando. A água batia no duto como um animal pequeno preso dentro dele. Nael continuava do outro lado, calado por ordem da visita. Bateu uma vez na pedra. Célia encostou a orelha na fenda, ouviu o retorno e se afastou. Ilva guardou o visor contra o corpo. Célia apertou a panela vazia entre os joelhos. A caixa de coleta abriu uma cavidade estreita. Antônio encaixou no suporte o recipiente de análise que trazia junto ao peito. A água entrou turva, com areia brilhante no fundo. O leitor corporal pediu confirmação de custódia. O filho respondeu antes que ele aceitasse. A voz veio baixa. Posso ligar quando sair. Antônio levou os dedos queimados à boca, depois autenticou a coleta com a face. A amostra recebeu seu nome, sua casa, o bar interditado e os quarenta dias que a concessionária chamaria de responsabilidade. Ele puxou o recipiente para junto do peito e seguiu pelo corredor de serviço, enquanto a porta fechada mantinha os outros três atrás da terra.
Energia e água
| Geração | 106.999 tokens em 8 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~214 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 108 Wh só na placa de vídeo (3090) | medido na GPU |
| Tradução | ~6.659 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |