A FENDA ESTREITA
Antônio baixou a cabeça para atravessar o vão sob o depósito. O corredor recebia o corpo de um por vez, entre o cabo óptico preso à parede e a terra que a mina deixara compactada acima deles. Levava o recipiente de viagem numa mão, a panela rasa na outra. A massa de milho tremia dentro dela, já sem a faixa de conservação que lhe dava calor. Nael entrou depois. Tocou a lateral do túnel com dois dedos e retirou uma crosta escura. Conhecia aquela pedra quando ainda recebia por metro aberto. Havia ensinado homens mais novos a escutar a diferença entre o chão que sustentava uma máquina e o chão que engolia ferramenta. Agora a linha azul corria rente à sua unha, procurando a continuidade que ele ajudara a vender. Célia ficou na entrada, respirando pela boca. Ilva passou por ela e encostou a palma na parede de barro, onde um feixe de fios descia de um duto aparafusado. O calor do cabo subia pela superfície. Mais adiante, a luz mostrava uma reentrância baixa, seca, com espaço para quatro pessoas sentadas. Antônio pousou a panela no chão. Comemos antes de seguir, disse. Célia olhou a abertura por onde ainda vinha a claridade do depósito. A visita já tinha começado. Nael se abaixou perto da panela, sem tocar nela. Ilva tirou do recipiente de viagem uma medida de água menor que a largura de três dedos e verteu sobre a massa. O milho absorveu tudo em silêncio. Antônio separou quatro porções com a colher. A dele ficou por último, pequena, quase uma borda. Nael puxou a panela para o centro e mudou duas partes de lugar. A maior foi para Célia. Você vai andar mais, disse. Ela recusou com a cabeça. Você tem o pé aberto, respondeu ele. Antônio viu a divisão e deixou a mão parada sobre a própria coxa. Durante anos, no balcão do bar, ele decidira quem recebia gelo primeiro quando a energia ainda permitia congelar alguma coisa. Antônio limpou o polegar úmido na calça e olhou a porção que lhe sobrara. Ilva empurrou a porção de Antônio até ele. Você entrou primeiro. Ele tomou a colher. Mastigou devagar, como se ainda tivesse de escolher uma mensagem para o filho antes de engolir. A massa esfriava depressa. Nael comeu de pé, apoiado na parede, e deixou metade na panela. Guarda, disse. Para quem, perguntou Célia. Ele apontou com o queixo para a abertura escura à frente. Ninguém respondeu. O corredor seguia para dentro do terreno que a operação chamava de traçado, e que Nael conhecera como caminho de sondagem. Ali adiante, a terra guardava marcas de botas, perfurações fechadas, nomes que os mapas tinham perdido. Ilva cobriu a massa restante com a tampa da panela. O metal não seguraria o alimento por muito tempo, mas escondia o cheiro. Antônio apertou o recipiente vazio contra o peito. A tarifa técnica continuava correndo em algum lugar acima da terra, alimentada pela luz fixa do cabo. O milho também tinha prazo, embora nenhum painel precisasse anunciá-lo. Célia tirou o visor de junto ao corpo e o manteve apagado, sem consultar rota. Nael apontou uma fenda estreita atrás da reentrância. Por ali a água passava antes, disse. Antônio pegou a panela coberta, entregou-a a Ilva e se abaixou para entrar na fenda primeiro.
Energia e água
| Geração | 44.608 tokens em 4 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~89 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 107 Wh só na placa de vídeo (3090) | medido na GPU |
| Tradução | ~4.516 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |