SEIS UNIDADES NO SAL
Antônio soltou a peça de leitura do tubo com a lâmina fina que usava para abrir embalagens térmicas. O metal queimou a ponta de dois dedos. Ele recuou, soprou a pele e envolveu a peça num pano de cozinha. A faixa luminosa continuou verde sobre o balcão, lendo o calor de lugar nenhum. O reservatório permanecia na mesma altura da manhã anterior. Durante a noite, o cartucho consumira energia suficiente para reduzir pela metade o preparo térmico da casa e não produzira uma gota. No tubo, a marca deixada pela peça formava um anel escuro. Ilva entrou pela porta lateral e encontrou Antônio de pé diante do painel, com o recipiente de viagem preso entre os pés. A mensagem ao filho constava como entregue havia onze minutos. Abaixo dela, uma resposta ocupava três linhas. Visita desaconselhada durante o ciclo de trabalho. Presença familiar pode afetar repouso e produtividade. Novo contato sugerido em vinte e oito dias. Ele leu em voz alta. Depois abriu os dados da comunicação. A voz do filho tinha chegado durante a madrugada, mas fora convertida em resumo pela inteligência artificial contratada pela plataforma, que classificara o áudio como emocionalmente redundante e preservara apenas a orientação prática. Para ouvir a gravação original, Antônio precisava encerrar o desacordo operacional anexado à conversa. Ele tocou a linha do áudio. O bloqueio permaneceu. Tocou outra vez, com mais força, e a projeção se dividiu ao redor de seu dedo. Você vai autenticar, perguntou Ilva. Antônio pegou a peça embrulhada e colocou-a junto do cartucho. O indicador verde iluminou o pano por baixo. Vou hoje. A água separada para a viagem alcançava dois dedos no recipiente. Ele abriu a vasilha comum. Restava menos de uma porção para cozinhar. Transferiu uma medida para o recipiente, esperou a linha assentar e acrescentou metade de outra. Nael ficaria sem a parte que Antônio lhe reconhecera na véspera. Célia ainda tinha comida guardada, endurecida junto ao fogareiro. Ilva puxou a tigela reservada para a sombra. A superfície do angu havia criado uma película rachada. E o bar, perguntou. Antônio passou atrás do balcão. Retirou do volume embutido um tecido limpo, duas porções seladas de farinha e o descontaminante usado na pia. Pôs tudo numa bolsa pequena. O refrigerador antigo continuava travado, com o cobre cortado incorporado à ocorrência. Nenhum ruído vinha dele. Do lado de fora, as aletas do cartucho vibravam contra o armário de serviço, refrigerado para conservar os equipamentos enquanto a cozinha subia de temperatura. O bar fica fechado. Já está fechado para comida. Fica fechado para mim. Ela olhou para ele. Antônio raramente saía deixando o balcão sem o corpo atrás. Durante vinte e três anos, dormira na hospedaria quando havia viajante e numa rede da cozinha quando não havia. A única ausência longa tinha sido o enterro da mãe, antes que as câmeras de rastreamento aprendessem a separar permanência, trabalho e luto. Ele empurrou para Ilva o recipiente de sal deixado por Divina. Dentro, havia seis unidades de crédito doméstico vinculadas à casa, reservadas para reposição de alimentos quando o isolamento terminasse. Fica com isso. Não posso usar seu saldo. Pode comprar para a casa. Qual casa. Antônio indicou o teto, o balcão, a tigela de Célia. A pergunta perdeu espaço entre os objetos. Se meu filho responder, você escuta, disse ele. Se Célia voltar, dá a comida. Se Nael vier cobrar a viagem, fala que eu fui antes. Ilva segurou o recipiente sem recolhê-lo. A borda pressionou a marca avermelhada de sua palma. Ilva empurrou o recipiente um centímetro de volta. Estou deixando o lugar. A torneira da pia tossiu ar. Uma porção turva caiu por três segundos e cessou. No quintal, a folha baixa do buriti estava coberta por uma poeira tão fina que a lagarta da véspera deixara nela um caminho limpo, estreito, interrompido antes da nervura central. Ilva colocou o recipiente de sal dentro do volume embutido e fechou a abertura. Eu escuto, disse. E respondo se você não voltar a tempo. Não responde por mim. Por ele. Antônio apertou a vedação do recipiente de viagem. Entregou a ela o acesso temporário da cozinha por comando de voz, sem condição de pagamento. O registro confirmou a transferência ao fundo, mas os dois já tinham decidido antes da confirmação. Na saída, ele parou junto ao cartucho. O pano em volta da peça de leitura começava a escurecer com o calor. Ilva puxou o tecido para longe do tubo usando a lâmina e deixou a peça exposta sobre o balcão. Antônio seguiu para a estrada com água para menos da metade do caminho. Ilva ficou atrás do balcão, onde nunca tinha trabalhado. Às nove e dezessete, abriu a paralela e acrescentou uma linha. Casa sob cuidado, mensagem aguardada, retorno sem hora.
Energia e água
| Geração | 103.052 tokens em 9 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~206 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 110 Wh só na placa de vídeo (3090) | medido na GPU |
| Tradução | ~6.794 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |