2047: Arquivos do depois de antes
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CAPÍTULO 044 · PRÉVIA

A BORRACHA NO BOCAL

Prévia, ainda não impresso

Célia recebeu no visor a faixa curta que substituía seu nome. Participante vinculada. Crédito de deslocamento em revisão. Ela leu de pé junto ao portão de Ilva, com o recipiente preso à cintura e a outra metade da massa de milho endurecendo no tecido. Ilva lavava a chapa do fogareiro com duas colheres de água. A película de gordura se juntou num canto, escura, e ela a recolheu com a ponta do pano. Na cozinha, o homem dormia sobre a manta fina. Nael tinha saído antes do sol alcançar o buriti. Tiraram meu nome, disse Célia. A chapa respondeu com um risco de metal. Ilva enxaguou o pano na bacia, torceu uma vez e pendurou-o na borda. Você viu. Vi. A redação deixou minha imagem no arquivo da ocorrência. Célia mostrou a tela. Onde antes havia uma pauta, apareciam três linhas sobre participação indevida e conflito de presença. A foto do Lajes continuava verde demais, larga demais, oferecida entre anúncios de terreno e condução. Ela não fechou o visor. A luz subia pelo queixo dela, marcando a pele onde o aparelho passara a noite. Pode retirar a confirmação, disse Ilva. Posso pedir. A jornalista soltou o recipiente da cintura e o pousou sobre a mesa. A borracha escurecida em volta do bocal ainda segurava a água. Nael tinha deixado ali uma volta mais grossa, uma pequena falha que Célia agora alisava com o polegar. Se eu pedir, vão dizer que a visita não teve testemunha. Se não pedir, vão dizer que eu fui com vocês. Você foi. Célia ergueu o rosto. Ilva viu a resposta formar-se e ficar presa atrás dos dentes. Célia passou o polegar pela falha de borracha até a unha ficar escura.

Vim sozinha, ela disse. O visor vibrou de novo. Ela virou a tela contra a mesa. Ilva pegou a quarta porção que restara sob o prato e dividiu a massa fria em duas partes. Empurrou uma para Célia. A jornalista não tocou nela. Do lado de fora, uma carreta destravou os freios na estrada alta. O som correu pelas casas, passou pelos dutos presos às fachadas, entrou na cozinha como se procurasse onde parar. Você vai subir mesmo sem crédito, perguntou Ilva. Vou a pé. São quase duas horas. Célia apertou o bocal do recipiente. Nenhuma gota apareceu. Depois soltou o tecido com a massa e colocou-o diante de Ilva. Fica com isso para o homem. Ele está dormindo. Quando acordar. A porção era pouca, mas já tinha sido comida planejada para um percurso. Ilva olhou para o tecido, depois para a porta aberta. O calor começava a entrar por ela. Não vou aceitar. Vai sim. Eu confirmei por você. Guarda meu nome. Célia puxou o visor de volta para junto do corpo. A tela refletiu o rosto das duas, quebrado pela rachadura fina no canto. Quando perguntarem quem me chamou, não diga que fui enviada pela redação. Ilva deixou a mão sobre a massa. A obrigação ficou entre elas, menor que a cozinha e mais difícil de atravessar. Célia amarrou o recipiente na cintura e foi até o portão. Antes de sair, sem olhar para trás, disse que amanhã queria ouvir o Lajes sem nenhuma imagem em volta.

Energia e água

Geração81.339 tokens em 7 chamadas ao modelomedido
Água~163 ml na geração, 2 ml por mil tokensestimado
Vídeo108 Wh só na placa de vídeo (3090)medido na GPU
Tradução~4.174 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic)estimado
Impressãoimpressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora
Como a conta é feita ↗