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CAPÍTULO 038 · PRÉVIA

O BESOURO VERDE

Prévia, ainda não impresso

NOTÍCIA DE ORIGEM
Terras raras e a tragédia da mineração brasileira

Combate Racismo Ambiental

Falta uma pessoa, disse Antônio, olhando a tigela onde o milho ainda soltava vapor. Ilva puxou a panela para o centro da mesa. Nael separava os grãos duros com a ponta dos dedos, fazendo duas porções pequenas sobre o pano. A casa guardava calor desde a tarde. No quintal, as folhas do buriti mais baixo estavam viradas para dentro, mostrando o avesso seco. Um besouro verde batia no duto preso ao beiral e caía de costas, voltava a bater, caía outra vez. O painel da cozinha mantinha aberta a exigência do consórcio do datacenter. Terceira testemunha independente até o amanhecer seguinte. Sem ela, a visita ao traçado seria desautorizada e a garantia de Antônio passaria para a conta administrativa. Dezoito horas, disse ele. Dezessete agora, respondeu ela. Nael soprou o milho na palma e deixou os grãos mais claros na tigela de Ilva. O reforço na sandália fazia o pé dele pousar com cuidado no chão de barro endurecido. Antônio viu o movimento e baixou os olhos para a mesa. Naquele mês, as pessoas já cozinhavam antes do escuro para não disputar corrente com as bombas de resfriamento. As mariposas também tinham mudado de hora. Vinham cedo para a lâmpada da cozinha, queimavam as asas no aro quente e deixavam um pó fino sobre a pia. Antônio dividiu o milho em três pratos. Ficou com a porção onde a farinha tinha agarrado no fundo da panela. Ilva mexeu no alimento sem levar à boca. Divina não serve, disse ele. Está presa à coleta comigo. Edna interessa à operação. Osmar apaga o que vê. Nael ergueu os olhos. A palavra ficou entre os três, pesada como utensílio molhado. Osmar podia entrar na poligonal e validar presença, mas seu visor alimentava a harmonização que trocava pedra oca por densidade baixa. Antônio conhecia o homem de cruzar a rua, de pedir gelo quando o bar ainda podia vender comida. Conhecia também o modo como ele passava diante de uma casa sem levantar a cabeça. Tem gente de fora, disse Antônio. Ilva parou a colher. A mensagem auditada voltou a acender no canto do painel. O homem da outra cidade perguntava se ela deixaria que ele entrasse. A gravação preservava a respiração dele antes da pergunta, uma demora que a rede classificara como ruído e mantivera por engano. Ele não conhece o caminho, disse Nael. Precisa conhecer, perguntou Antônio. O consórcio queria um corpo sem vínculo contratual e uma presença autorizada por quem fizera a declaração. O homem cabia na regra porque ainda não pertencia a Buritaçu. Cabia também na casa dela, se ela abrisse a soleira e aceitasse que a visita fosse medida, gravada, usada contra os três. Ilva levou o prato até a boca. O milho já tinha endurecido.

Você quer trazer ele para isso, perguntou Antônio. Lá fora, um pássaro miúdo bicou a terra sob o buriti e desistiu depois de três tentativas. Nael acompanhou o voo curto dele até a cerca digital, onde a linha azul pulsava entre os capins. O painel reduziu o prazo em um minuto. Ilva ouviu de novo a voz do homem, baixa na cozinha. Eu chego antes do sol, disse a voz.

Energia e água

Geração67.811 tokens em 5 chamadas ao modelomedido
Água~136 ml na geração, 2 ml por mil tokensestimado
Vídeo108 Wh só na placa de vídeo (3090)medido na GPU
Tradução~4.212 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic)estimado
Impressãoimpressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora
Como a conta é feita ↗