ABELHAS NA TORNEIRA
A ampola vazia tremia na borda da pia, tocada pelo vento que entrava da cozinha dos fundos. Divina segurava o tubo com dois dedos, esperando a água escorrer pela torneira aberta. A linha tinha secado antes do anoitecer. A faixa de isolamento brilhava no piso, recuada até o cano. Do quintal chegou um zunido baixo. Ela pensou que fosse o refrigerador cortado. Depois viu as primeiras abelhas entrarem pelo vão acima da veneziana, três, oito, uma nuvem inteira engrossando diante da parede caiada. Vinham carregadas de pó amarelo. O buriti atrás do bar perdera metade das folhas desde que a cava avançara, e as abelhas tinham deixado os furos do tronco para procurar sombra onde restasse umidade. Divina baixou a ampola. As abelhas cobriram a torneira. Uma pousou na lâmina de água, outra entrou no tubo. Divina recuou até a cortina de fibra. A coleta precisava da pia, mas a pia agora era delas. Antônio estava no corredor externo com a bolsa térmica no ombro. A autorização para visitar o filho corria naquela noite, seis horas que cabiam entre a estrada e a porta de uma casa onde ele já não sabia ser esperado. Ouviu o zunido e voltou. Não chega perto, disse Divina. Ele parou junto à faixa. As abelhas tinham feito uma massa viva sobre o metal da torneira. O calor do cano lhes dava abrigo. A água, puxada da bacia que a operação mineral dividia com as casas e prometera ao futuro datacenter, sustentava aquela escolha pequena dos insetos. Servidores de inteligência pediriam a mesma água para subir em vapor. As abelhas só precisavam de uma fresta. Antônio deixou a bolsa no chão. Tinha um pano de prato atrás do fogão, usado para cobrir a terceira tigela. Pegou-o sem tocar na comida. Divina abriu o armário alto e tirou uma tigela funda, dessas que antes recebiam farinha para os viajantes da hospedaria. Os dois ficaram olhando a pia. Ela havia chegado para levar uma amostra a quem recusara as câmeras. Ele precisava partir sem soltar a cozinha nas mãos dela como quem abandona uma conta. A água na bacia de lavagem continuava ondulando. Divina encostou a tigela no piso, longe da luz âmbar. Antônio molhou o pano na bacia de lavagem e torceu uma vez sobre o batente da janela.
O cheiro de milho velho subiu com a umidade. As abelhas começaram a se desprender da torneira, primeiro poucas, depois em fios. Seguiram o pano até o alpendre. Uma ficou dentro da ampola. Divina inclinou o vidro e esperou que ela saísse. A abelha bateu contra a parede transparente, girou, encontrou a abertura. Voou para o pano encharcado. No perfil noturno, a torneira fechou a passagem. A última gota ficou pendurada no bico, grossa e imóvel. Ele apanhou a bolsa térmica. Divina tinha a ampola limpa outra vez, mas não a encheu. Pôs o tubo dentro da tigela funda e levou os dois até a soleira. Antônio passou por ela primeiro, carregando a bolsa contra o peito.
Energia e água
| Geração | 41.769 tokens em 4 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~84 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 108 Wh só na placa de vídeo (3090) | medido na GPU |
| Tradução | ~4.016 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |