A AMPOLA DE ESPUMA
A ampola estava presa entre duas tiras de espuma, transparente e pequena, com um pó cinza no fundo. Antônio a encontrou na caixa deixada pela autoridade ambiental junto à porta do bar. Havia recebido três. Uma para a pia, uma para o reservatório sob o balcão, uma para quem pudesse pagar a leitura vinculada ao próprio corpo. A curva de cobre permanecia sobre a mesa, dentro da camisa dobrada. Edna não a tocara desde que chegara. Restavam quatro minutos para a apresentação, e o painel acima do balcão mantinha a faixa aberta, material recebido, origem pendente. Antônio virou a ampola contra a luz da cozinha. O pó correu devagar pelo vidro. Isso mede o quê, perguntou. Edna leu o rótulo projetado na lateral da caixa. Mede resíduo de processo em água de uso doméstico. Se der acima da faixa, abre contraprova territorial. E fecha o bar. Pode suspender preparo de comida até nova leitura. A terceira tigela continuava coberta perto do fogão. O milho de Mariana tinha endurecido nas bordas. Antônio passou o dedo pela tampa, sem levantar o prato. No painel público da rua, Divina parou diante da janela. Divina, a vereadora que ajudara a empurrar o acordo do datacenter pelas reuniões da vila, segurava uma sacola de mercado contra a barriga. Pediu a palavra ao canal comunitário. A luz ao lado de seu rosto acendeu. Ela viu a caixa de ampolas, viu Edna, viu a camisa em volta do cobre. Depois fechou a boca e desligou a solicitação. A rua seguiu quente. O painel chamou Edna pelo nome. A bandeja de apresentação aguardava a autenticação corporal dela e o depósito da peça. Sales apareceu na imagem, sentado numa cabine refrigerada, o colarinho escuro de suor ainda preso ao pescoço. A operação aceita a entrega, disse ele. A classificação depende da origem verificável. Nael reconheceu a dobra, falou Antônio. Reconhecer não entra na cadeia de posse, respondeu Sales. A peça foi recolhida depois de uma intervenção irregular. Edna olhou a ampola. Seu dedo ferido estava coberto por uma película médica, amarelada nas pontas. Pegou a caixa, tirou o segundo tubo e o pousou ao lado da pia. Se a linha do bar tiver o resíduo, a derivação deixa de ser manutenção informal, disse ela. Vira parte de uma contaminação a investigar. Sales inclinou o rosto para mais perto da tela. A senhora tem alguma objeção à coleta. Estou propondo medir a água que passa pelo reparo. Antônio abriu a torneira. A caneca começou a encher. Vinte e nove segundos, como antes. A lâmina batia no fundo de alumínio e subia clara demais para a fome que custava. Edna tirou a tampa da ampola. Esperou a caneca chegar à metade, verteu a água no tubo até a linha marcada e fechou com força. O pó cinza se espalhou em fios finos. Ela girou o vidro sete vezes, devagar, até a água perder a transparência. O painel pediu o responsável pelo ponto de consumo. Antônio não respondeu logo. Atrás dele, o refrigerador cortado soltou um estalo. O motor trabalhava para conservar duas garrafas e um resto de gelo comprado de Valdo. Se a leitura abrisse contenção, ele perderia a venda da tarde. Talvez também a cozinha. Seu filho continuava aceso no ponto de presença da capital. Havia três dias que o círculo não mudava de lugar. Você tem certeza, perguntou Antônio. Edna olhou para a curva embrulhada. Depois para a tigela coberta. Não. Ele pôs a face diante do painel. A autenticação corporal percorreu suas pálpebras, desceu pela mandíbula, aceitou a autorização. Seu nome entrou no pedido de contraprova junto com o endereço do bar. A água da ampola escureceu antes do tempo indicado. Primeiro uma nuvem cor de ferrugem. Depois uma faixa verde aderiu ao fundo. Sales parou de falar. O painel retirou a curva da fila de classificação e abriu uma janela de isolamento ambiental. A proteção da água do bar continuava ativa até a coleta oficial. Embaixo, outra linha surgiu para Antônio. Atividade alimentícia sob observação. Venda suspensa até leitura confirmatória. Ele leu sem piscar. A caneca transbordou sobre o balcão, pouca água, mas água tirada da linha que agora o acusava. Antônio fechou a torneira com a digital. A mancha alcançou a borda, caiu no chão e sumiu na areia escura entre as tábuas. Divina entrou no bar. Não pediu a palavra desta vez.
Tirou uma das ampolas da caixa, guardou-a na sacola e saiu pela cozinha, levando o tubo vazio para a rua onde as casas começavam.
Energia e água
| Geração | 138.800 tokens em 13 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~278 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 108 Wh só na placa de vídeo (3090) | medido na GPU |
| Tradução | ~6.109 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |