A DOBRA NA CURVA
Trinta e sete minutos restantes, acendeu o painel da rua quando Antônio alcançou a casa de Ilva. Edna vinha atrás, com a presilha de cobre fechada na mão. O aviso não chamava ninguém pelo nome. Exigia a apresentação do material removido e informava a consequência, ao fim do prazo a proteção do bar seria retirada e a água usada desde o reparo voltaria como benefício irregular. A porta estava encostada. Dentro, o cheiro de pequi requentado ocupava a sala pequena, misturado à poeira que entrava pela veneziana. Ilva separava grãos de milho numa bacia digital de pesagem, tirando as pedras pelo som seco contra o fundo. A faixa na perna aparecia sob a barra da roupa. Nael dormia numa rede junto ao alpendre, o joelho ruim dobrado de um jeito que não encontrava descanso. Antônio parou diante da mesa. A curva está na sua bolsa, disse Edna. Ilva olhou para os dois, depois para a bolsa de lona pendurada no encosto da cadeira. O espelho frio estava ali dentro desde que ela saíra do bar. Ela puxou o fecho, afastou uma chave curta, um pano dobrado, o recipiente preso à faixa de proteção. A curva de cobre apareceu por último, enrolada no tecido que Edna usara para levar a colher. Por alguns segundos, ninguém tocou na peça. A curva tinha o tamanho de uma mão fechada. Um lado trazia a marca escura do corte térmico, o outro guardava uma linha de gordura antiga, vinda da cozinha do bar. Antônio a conheceu antes de pegá-la. Tinha limpado aquela curva com areia fina durante anos, quando o refrigerador ainda soprava um ar menos quente sobre as garrafas. Foi você, falou. Edna baixou a cabeça. Eu pus aí antes de ir para a cabine. Ilva passou o pano pela peça. O cobre deixou uma mancha verde em seus dedos. Nael abriu os olhos na rede, ouviu as vozes e se sentou devagar. Do quintal vinha o ruído das cigarras, irregular desde que a cava avançara sobre a faixa de buritis. Havia menos sombra no chão, menos insetos presos às folhas largas. A lavra de terras raras comia a água por baixo e deixava o cerrado aprendendo a secar de pé. Antônio pegou a curva. Se eu levar isso, eles levam o refrigerador inteiro. Edna disse, Tem a marca do corte. A frase não diminuiu o peso do metal. O homem da operação mineral tinha dito que qualquer cobre usado no reparo passara a pertencer à infraestrutura incorporada. Ilva voltou à bacia de milho. Separou mais três pedras. Ilva disse, Deixa o metal aqui. O painel da rua reduziu um minuto. A luz atravessou a janela e riscou a parede de barro endurecido, onde um duto de serviço subia preso por parafusos. Nael levantou da rede, apoiando a mão no batente. Na curva tem uma dobra, falou. Na parte de dentro. Antônio virou o cobre. A dobra era pequena, quase apagada pelo calor. Foi quando a gente botou o refrigerador, disse Nael. Eu e você. O motor puxava água demais. Fizemos a curva para ele beber da derivação, não da pia. Antônio olhou para o amigo. Nael tinha guiado máquinas por caminhos que hoje terminavam em cerca viva. Parte daquele dinheiro comprara o refrigerador. Parte ficara enterrada sob cada tubo que a operação mineral incorporava agora. Você lembrava disso, perguntou Antônio. Lembro porque queimou minha perna, respondeu Nael. Edna aproximou o rosto da curva. A marca de dobra indicava que a peça não fora retirada de duto da concessionária. Viera de uma adaptação doméstica anterior ao mapa atual. O aviso externo queria presença material, queria uma prova que coubesse na tela. Eles tinham uma coisa pior para a operação mineral, uma memória dita por quem tinha posto o tubo no lugar. O prazo caiu para vinte e nove minutos. Antônio levou a mão ao bolso do avental e encontrou a lasca de cobre que recolhera da grade. Pôs a lasca na mesa, perto da curva. As duas partes não se encaixavam, mas pertenciam ao mesmo metal, ao mesmo refrigerador, ao mesmo pagamento que Nael recebera por abrir chão para a mina.
Ilva serviu o milho em três tigelas. Nael recebeu a primeira. Antônio permaneceu em pé, com a curva na palma. Edna comeu duas colheradas rápidas, olhando a porta. Ninguém ofereceu alimento a ela de novo. O tempo já tinha começado a cobrar a volta. Lá fora, uma lagartixa atravessou o chão quente e sumiu atrás do armário de serviço. Antônio enrolou a curva no pano e saiu primeiro. Edna foi atrás dele. Nael ficou na porta, contando os passos dos dois até a rua acabar.
Energia e água
| Geração | 256.669 tokens em 23 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~513 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 108 Wh só na placa de vídeo (3090) | medido na GPU |
| Tradução | ~6.095 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |