A SERPENTINA DE COBRE
A torneira do bar encheu uma caneca em quarenta e dois segundos, onze a mais que na primeira abertura depois do reparo. Antônio fechou o fluxo. Sob a grade, o pano torcido escurecia ao redor da abraçadeira, e uma bolha crescia na junção a cada pulsação da bomba. Edna chegou com uma convocação acesa no dispositivo corporal. A operação mineral exigia sua presença na britagem antes do calor maior. Ela deixou o aviso vibrar contra o pulso e deitou no piso para alcançar o tubo. Você voltou, disse Antônio. Eu devia. A bolha rompeu sobre os dedos dela. O tecido aguentaria menos de um turno. Valdo parou o caminhão na rua, onde três recipientes aguardavam sua água vendida. Contou que ouvira, no carregamento, a chegada de gente para examinar as promessas verdes da mineração. Falavam de comunidades prejudicadas, de pesquisadores desconfiados, talvez de uma autoridade ambiental. Ele próprio não sabia se vinham naquele dia ou se a história servia apenas para apressar uma limpeza. Vão esconder o velho, disse Antônio. Edna retirou a mão molhada. A operação poderia trocar todo o trecho, cobrir a derivação e chamar a água recuperada de eficiência. Quando isso acontecesse, o tubo sob o bar deixaria de admitir reparo local. A convocação vibrou outra vez. Ela a silenciou com o antebraço. Antônio entrou na cozinha e afastou o banco de unidades que mantinha bebidas menos quentes que o ar. Atrás dele permanecia o primeiro refrigerador do bar, sem função havia anos, preservado porque Nael o comprara com o pagamento de uma escavadeira guiada pelo vale. O metal externo tinha pontos de ferrugem. No fundo, uma serpentina de cobre conservava duas curvas inteiras. Antônio guardava aquela peça para vender. O crédito pagaria parte da viagem à capital, embora nenhuma mensagem enviada ao filho confirmasse que ele seria recebido. Durante seis meses, medira o cobre com os olhos e apagava o destino antes de dormir. Edna puxou o refrigerador. O pé enferrujado riscou o piso. Se cortar, acabou, disse ele. Ela esperou. Antônio trouxe a lâmina térmica usada para abrir recipientes de carga. Encostou-a na curva mais longa. O cobre avermelhou, cedeu e caiu com um som pequeno demais para o preço que carregava. Trabalharam no chão. Edna abriu a curva longitudinalmente, achatou as bordas com uma chave antiga do bar e moldou uma luva ao redor da vedação rachada. Antônio retirou o pano, já reduzido a fibras. A água presa no tubo molhou os braços dos dois e desapareceu pela areia endurecida. Na rua, Valdo vendeu duas porções e deixou a terceira família esperando enquanto observava o reparo. Se a torneira sustentasse, perderia uma entrega diária. Ainda assim, ofereceu a cinta de pressão guardada para as mangueiras do caminhão. A luva fechou sobre a borracha. Edna apertou uma vez, depois outra, depois até o cobre parar de ceder.
A bomba empurrou água. Nenhuma bolha se formou. A convocação expirou enquanto ela mantinha os dedos sobre a junção. Na britagem, outra pessoa assumiria a ocorrência e saberia que Edna escolhera o bar. Antônio abriu a torneira. A caneca encheu em vinte e nove segundos. Separou metade para Valdo e bebeu o restante sem brindar. Depois recolheu a curva que sobrara do refrigerador, atravessou a cozinha e a escondeu sob o balcão.
Energia e água
| Geração | 42.983 tokens em 4 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~86 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 108 Wh só na placa de vídeo (3090) | medido na GPU |
| Tradução | ~4.584 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |