2047: Arquivos do depois de antes
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CAPÍTULO 006 · PRÉVIA

PILÃO RACHADO

Prévia, ainda não impresso

Nael virou o pilão de madeira sobre o piso da cozinha e despejou dentro dele uma tigela de milho seco. A peça vinha da casa de sua mãe, tinha uma rachadura escura de alto a baixo e ainda moía quando ele acertava o ponto entre força e paciência. Tiago sentou perto da porta, com a bolsa de ferramentas entre os pés, esperando a hora de a rua pedir seu rosto de volta. Ilva permanecia de pé junto à pia. A faixa presa à sua perna repuxava sob o uniforme. Na mesa, a bacia escondia o espelho frio, e os dois copos guardavam seus estados antigos, um vazio, outro pela metade. Nael socou os grãos até a cozinha se encher de um cheiro áspero, quase doce. Parava depois de vinte batidas, passava a mão sobre o pó, voltava a trabalhar. Tiago ofereceu ajuda. Você quebra a ponta, disse Nael. Tiago segurou o pilão. Na terceira pancada, a madeira escorregou e o milho saltou pelo chão. Ele se abaixou depressa. Ilva viu os dedos dele juntando cada grão entre a poeira vermelha trazida do reparo. Nael apertou os grãos na palma antes de deixá-los no pilão. Do lado de fora, Benedita atravessou a rua com um lenço preso no cabelo e um ramo seco debaixo do braço. Parou diante do portão de Valdo, olhou o alto da serra por alguns segundos, depois seguiu sem chamar ninguém. O sensor da fachada acompanhou sua passagem e apagou. Nael recolheu o pilão das mãos de Tiago. Moía mais devagar agora. Ilva abriu o compartimento térmico e retirou dois pequis, os últimos que Nael tinha separado na véspera. Cortou a polpa com uma lâmina curta.

O caroço mordia o metal. Tiago riu uma vez, baixo, quando quase perdeu a ponta do dedo. Essa fruta tem defesa, ele disse. Nael misturou o milho quebrado à polpa e levou a panela ao fogareiro. A chama subiu azul, pequena, alimentada pela cota doméstica que ainda restava. Não precisou de água. A mistura tostou em blocos amarelos, e o cheiro correu até o alpendre. O aviso de retorno de Tiago vibrou no vidro da janela. Faltavam dezessete minutos para o transporte compartilhado passar na esquina. Ele olhou a projeção sem tocar nela. Depois puxou a bolsa para mais perto. Você perde outra rota, disse Ilva. Ele pegou um dos blocos de milho e pequi antes que esfriasse. Soprou a fumaça dos dedos. A boca se fechou quando mastigou, como se aquela comida exigisse uma resposta que ele não tinha. Nael dividiu o resto em três porções desiguais. A maior ficou diante de Ilva. Tiago recebeu a menor. A terceira ele deixou no centro, sobre a mesa. É para quem chegar tarde, disse. Tiago empurrou sua porção na direção de Nael. Você moeu. Nael não tocou na comida. O transporte passou pela esquina com as janelas negras, devagar o bastante para oferecer espera, rápido o bastante para levá-la embora. Tiago ficou sentado. A projeção sumiu do vidro. Ilva levou a mão à faixa sob a perna, sentiu o recipiente ainda ali, pequeno e quente contra a pele. Não o moveu. Tiago viu o movimento, baixou os olhos para a mesa e decorou os três valores que ela lhe dera no reparo, murmurando-os sem voz. No quintal, um buriti magro deixou cair uma folha inteira. Ela desceu girando até pousar sobre a terra rachada.

Energia e água

Geração35.610 tokens em 4 chamadas ao modelomedido
Água~71 ml na geração, 2 ml por mil tokensestimado
Vídeo108 Wh só na placa de vídeo (3090)medido na GPU
Tradução~4.533 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic)estimado
Impressãoimpressão, máquina e papel entram quando a página sair da impressora
Como a conta é feita ↗