A MEMBRANA NA PALMA
A compressa selada cabia entre dois dedos. Mariana rasgou a película com os dentes e deixou o quadrado branco sobre a tampa do armário hidráulico. Ao lado, dispôs três presilhas, uma tira de vedação e o frasco de descontaminação, cujo visor marcava quatro doses. A quinta ficara no reparo da drenagem. Tiago mantinha a mão esquerda aberta. Um filete escuro atravessava a palma, queimadura da chave óptica aquecida pelo duto. Tinha voltado com Ilva ao ponto de bombeamento porque a ferramenta acusara deformação, e a operação exigia devolução sem resíduos corporais. Sangue diminuía o valor de recompra. Mariana, operadora das bombas, segurou o punho dele e aproximou a lente do painel. A leitura contou partículas minerais na ferida. Três lavagens, informou a máquina. Intervalo de quarenta segundos. A torneira técnica liberava água apenas para manutenção certificada. Mariana autenticou com a íris. Saiu um jato fino, frio demais para pertencer a uma casa. Ilva apoiou a mão de Tiago sobre a canaleta enquanto Mariana contava até oito. A água levou sangue e pó ferruginoso para uma abertura cercada por sensores. No visor, o volume consumido subiu a cada segundo e foi debitado da cota de conservação da bomba. Tiago contraiu os dedos. Aberta, disse Mariana. Ele obedeceu. Ela aplicou a primeira dose, esperou quarenta segundos e examinou a pele. Depois a segunda. Na terceira, o frasco mostrou reserva insuficiente para o próximo turno. Ilva acompanhava o relógio projetado na lateral do armário. Sua revisão de acesso começaria em nove minutos, na cabine de operação, com varredura corporal completa. A faixa sob a perna apertava mais desde o reparo. O recipiente permanecia ali, sem participar do cuidado e perto demais da lente que examinaria seu corpo. Mariana estendeu a compressa sobre a palma de Tiago. Prendeu uma ponta, depois outra, deixando o centro livre para respirar. Usou duas presilhas. Guardou a terceira. Fecha devagar. Ele dobrou os dedos. A compressa escureceu num ponto. De novo, disse Ilva. Mariana olhou o frasco. O painel já oferecia uma solução autorizada, selante industrial aplicado diretamente sobre a queimadura, retorno imediato ao trabalho, desconto parcelado em seis turnos. Tiago leu até o valor final. Com a mão ferida, tocou a opção de recusa. A câmera de rastreamento inclinou-se para ele. Mariana retirou do bolso interno do uniforme uma cápsula transparente. Dentro havia uma membrana médica dobrada, comprada para proteger a garganta nos ensaios que fazia sozinha. As gravações do coro continuavam na nuvem por mais sete horas. O crédito reservado para renovar a assinatura tinha sido gasto naquela membrana. Ela abriu a cápsula. Você vai perder as vozes, disse Tiago. Mariana não respondeu. Ajustou a membrana sobre a pele, alisando das bordas para o centro até expulsar duas bolhas de ar.
Fixou a última presilha e manteve a mão dele elevada durante um minuto inteiro. A bomba mudou de nota atrás deles. Ela escutou, mas não se virou. O painel reconheceu o material fora do contrato e reclassificou o atendimento como demora pessoal. Quatorze minutos foram retirados do próximo turno dela. A licença de canto, que permitia emissão vocal acima do volume doméstico por duas horas semanais, entrou em suspensão junto com a assinatura vencida. Faltavam três minutos para a revisão de Ilva. Mariana soltou o punho de Tiago. Ele abriu e fechou a mão uma vez. A membrana permaneceu firme. Vai, disse ela. Ilva deu dois passos em direção à cabine. O arco de leitura acendeu do outro lado do vidro, percorrendo o chão à espera de seus pés. Se entrasse, a varredura alcançaria a faixa. Se faltasse, a concessionária poderia suspender seu acesso de campo antes do fim do dia. Tiago segurou a porta com a mão protegida. A pressão fez surgir outra mancha sob a membrana. Ilva voltou, reposicionou a mão dele acima do peito e contou vinte pulsações no pescoço. Depois conferiu a cor dos dedos, um por um. O relógio chegou a zero. A cabine fechou sem ela. Revisão ausente, informou o painel. Novo horário condicionado à inspeção residencial. A notificação seguiu para a casa antes que os três deixassem o ponto de bombeamento. Na mesa da cozinha, sob a bacia, o espelho frio permaneceria coberto. Sob a faixa, a amostra chegaria junto. Mariana recolheu as embalagens, separou a película contaminada e limpou a tampa do armário em três passagens. Tiago tentou ajudar. Ela afastou a mão dele e terminou sozinha. No canal de áudio preso à sua conta, as vozes do coro começaram a desaparecer pela gravação mais antiga. Uma mulher sustentou a última nota durante seis segundos, perdeu primeiro o grave, depois o corpo, depois o ar. Na canaleta, a água do cuidado correu por uma tela metálica e deixou uma linha vermelha entre os parafusos.
Energia e água
| Geração | 133.766 tokens em 10 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~268 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 109 Wh só na placa de vídeo (3090) | medido na GPU |
| Tradução | ~6.934 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a página sair da impressora |