A FAIXA AZUL
Se eu falar devagar, ele volta antes de escurecer, perguntou Luzia. Ilva separou três medidas de água na tigela de metal. A menina tinha chegado com o cabelo preso numa faixa de poeira e folhas secas, trazendo sob o braço a blusa limpa que guardava para o dia do drone do recenseamento. Queria subir ao telhado quando a máquina passasse sobre a vila, para caber inteira na imagem oficial. Senta aqui. Luzia sentou no degrau da cozinha. O calor do chão subia pelas pernas dela. Ilva molhou primeiro a nuca, depois dividiu o sabão em duas partes com a lâmina embutida no fogareiro. Ensaboou as pontas, puxou os nós devagar, enxaguou com a segunda medida. A terceira ficou para as orelhas e para a risca do cabelo. Vai faltar, disse Luzia, olhando a tigela quase vazia. Vai. Ilva torceu a blusa da menina sem força suficiente para secá-la. Pendurar roupa ali demorava porque o ar do quintal carregava pó mineral e a umidade se agarrava ao tecido como uma segunda pele. Luzia abriu os braços, esperando que a blusa voltasse ao corpo. Ainda não. Primeiro escuta. No painel do bar, a oferta dos anéis diminuía até caber numa linha verde. A condição seguia abaixo dela. Menos passagem de água, leitura contínua da casa, abatimento parcial da dívida. Ilva puxou a faixa de leitura para baixo e a linha verde sumiu. Luzia aproximou-se do ponto de presença de Antônio. A luz branca reconheceu a face dela, mas não abriu a rota familiar. Criança podia deixar recado, dizia o painel. Criança não podia alterar ocupação, consumo ou decisão de titular. Melhor assim, falou Ilva. Luzia encostou a boca no campo de captação. A primeira tentativa saiu depressa demais. Antônio, o pequi morreu. Ela parou. O painel pediu complemento de contexto. Morte vegetal. Data aproximada. Responsável pelo desvio. Luzia olhou para Ilva, que permanecia junto à tigela, com os dedos fechados sobre a borda. Fala o que você viu. Na segunda tentativa, a menina contou das folhas reduzidas, da raiz seca, da água usada na terra e da cova aberta no quintal. Não disse o nome do visitante. Não falou dos anéis. Quando terminou, o painel ofereceu uma versão resumida, adequada à compreensão do titular ausente. Luzia afastou o rosto. Eu falei do pequi inteiro. A mensagem inteira exigia prioridade de transmissão. No canto do painel, seis marcas de voz se apagaram uma a uma. Ilva leu a perda na tela. Depois colocou a íris diante da faixa azul. A mensagem saiu sem resumo. Luzia vestiu a blusa ainda úmida e correu até o alpendre. A água usada no cabelo tinha deixado uma meia-lua escura no degrau. Ilva recolheu a tigela e encontrou, no painel, a confirmação de entrega adiada. Antônio receberia o áudio quando cruzasse uma zona de passagem reconhecida. Abaixo da confirmação havia uma nova pergunta para ele. Aceita manter a ocupação provisória até retorno ao endereço. Luzia subiu no banco do quintal para alcançar a borda do telhado.
O cabelo limpo brilhava por alguns minutos, antes que o pó começasse a pousar outra vez.
Energia e água
| Geração | 174.092 tokens em 12 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~348 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 61 Wh só na placa de vídeo (4090) | medido na GPU |
| Tradução | ~4.151 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |