2047: Arquivos do depois de antes
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CAPÍTULO 115 · PRÉVIA

DUAS FOLHAS CAÍDAS

Prévia, ainda não impresso

O talo partiu sem som. Luzia ouviu mesmo assim, agachada diante da tela rompida, porque havia oito noites que contava as folhas antes de dormir. Na primeira, eram seis. Na quarta, sobravam três. Naquela hora depois do expediente, encontrou apenas os pecíolos roídos e uma linha escura subindo pelo caule. Ilva afastou as saúvas com o dorso dos dedos. A muda de pequi cedeu na altura em que o recipiente perfurado apertava a tela. A raiz saiu inteira demais, curta, cercada por terra seca. Nael havia plantado aquela semente com uma colher da reserva de Antônio. Luzia pretendia medir a primeira sombra com os pés e comer o primeiro fruto antes dos dez anos. Errava a própria idade para prolongar a conversa. Dá para pôr de volta, perguntou. Ilva pressionou a unha contra a raiz. A parte externa se desfez num pó claro. O centro já tinha a cor do cabo enterrado sob o quintal. No bar, o painel repetia havia dias a mesma curva ascendente. Praseodímio e neodímio tinham encarecido outra vez, primeiro num trimestre antigo, depois em ciclos mais curtos, até que a operação mineral transformara a alta em prioridade de extração. Abaixo do gráfico, fornecedores de fora do país que dominara o refino apareciam avançando sobre o mercado. Cada avanço elevava o prêmio pago por tonelada em Buritaçu. O crédito chegava aos donos da outorga antes de a poeira pousar sobre as folhas. O homem aproximou-se apoiando o calcanhar ferido apenas pela borda. Trazia nas mãos a faixa de algodão da mãe. Parou quando viu a raiz exposta. Eu posso amarrar, disse. Está seca por dentro, falou Ilva. Luzia recolheu duas folhas caídas. Costumava levar uma delas à vigília da água e pousá-la sobre o recipiente que esperava a torneira. Quando a folha se movia, havia vento. Quando permanecia imóvel, ela dizia que a noite estava segurando a respiração. Agora tentou encaixar uma folha no talo, como se a nervura pudesse encontrar o lugar de onde saíra. A operação mineral pagava naquela noite pela aceleração. O painel lançou contra a conta dos donos da outorga um crédito ambiental equivalente a vinte e três minutos de água doméstica. A quantia entrou na casa, encontrou a dívida compartilhada e desapareceu dentro dela. Restaram quatro minutos negativos. O homem leu o saldo duas vezes. Pagaram com o que a gente devia, disse. A concessionária chamou aquilo de reparação automática. Ilva levou a muda para a cozinha sobre a tigela recolhida por Nael. O painel doméstico reconheceu matéria vegetal sem atividade e abriu o inventário da casa. Ela alterou o primeiro registro, de cultivo alimentar para perda biológica. A oferta dos anéis continuava acesa no canto, esperando a autenticação que o homem recusara. A torneira soltou um golpe. O rateio começou antes do horário mostrado na véspera. Ela mudou o segundo registro. Retirou da água reservada a finalidade de irrigação. O painel recalculou o consumo e classificou a colher usada no plantio como desvio doméstico sem retorno produtivo. A dívida subiu uma fração. O homem fechou a mão sobre a faixa. Aceita os anéis, ele disse. Só até Antônio voltar. Ilva pousou a raiz sobre a mesa. A terra deixou um traço entre os dois. Menos água teria matado antes. Já morreu. A palavra alcançou Luzia no quintal. Ela entrou carregando as folhas contra o peito e perguntou onde ficaria a sombra. Ninguém respondeu. A menina foi até o lugar em que a muda estivera e colocou os dois pés juntos dentro da pequena cova.

Seu corpo projetava uma faixa estreita sobre o barranco. Mediu três pés até a tela, embora coubessem cinco. No espelho frio, Ilva mudou o terceiro registro. Onde havia uma linha para muda verde, escreveu o estado final, raiz seca, seis folhas reduzidas a duas, água doméstica interrompida durante o crescimento. Acrescentou a cadeia de causa em palavras separadas. Extração acelerada. Preço mineral. Ímãs para servidores. Reserva hídrica do datacenter. A paralela conservou os termos sem convertê-los em eficiência. Quando voltou ao quintal, Luzia arrancava da terra as saúvas que ainda procuravam o caule. Colocava cada uma do lado de fora da tela. Elas retornavam por outra abertura. O homem havia dobrado a faixa de algodão ao redor da raiz. A dívida permanecia dividida entre ele e Ilva, sem redução, e a ocupação continuava pendente da volta de Antônio. Usara o tecido da mãe para envolver uma planta que não viajaria com ninguém. Luzia levantou as duas folhas. Posso guardar até nascer outra, perguntou. Ilva retirou uma delas de sua mão e entregou a outra ao homem. A menina olhou a cova, depois o painel aceso dentro do bar. Quando Antônio voltar, quem conta que o pequi acabou, disse ela.

Energia e água

Geração38.290 tokens em 2 chamadas ao modelomedido
Água~77 ml na geração, 2 ml por mil tokensestimado
Vídeo61 Wh só na placa de vídeo (4090)medido na GPU
Tradução~6.522 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic)estimado
Impressãoimpressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora
Como a conta é feita ↗