DEZOITO MILILITROS DE DESCONTAMINANTE
A inspeção óptica começaria às dezesseis horas. O painel da cozinha repetia a frase em intervalos de um minuto, junto da promessa de que nenhuma entrada física seria necessária. Valdo estava sentado no banco baixo, com o pescoço virado para a janela. A crosta junto à nuca tinha aberto durante o sono e deixara um risco escuro na gola. Ilva trouxe uma tigela com dezoito mililitros de descontaminante, uma gaze selada e a película médica que restava no estojo de cuidado. Inclina mais, disse ela. Ele obedeceu. O corte tinha poeira nas bordas, poeira preta que o travesseiro não absorvera. Ilva umedeceu a gaze, apertou uma vez sobre a ferida, esperou a cor subir para o tecido. Na segunda passagem, a gaze saiu cinza. Na terceira, veio quase limpa. Nael ficou perto do fogareiro apagado, olhando a rua por uma fresta da porta. As câmeras de rastreamento no poste acompanhavam o movimento dos caminhões vazios. A casa enterrada ficava atrás deles, debaixo do quintal e das medidas encurtadas de Valdo. Isso arde mais que a entrega, falou Valdo. A entrega pelo menos termina, respondeu Nael. Ilva cortou a película em duas partes. Uma cobriu o corte. A outra, menor, voltou para o estojo, onde antes havia material bastante para duas feridas. Ela pressionou as bordas transparentes contra a pele dele até o adesivo reconhecer calor corporal. Não coça. Não passa pano. Se abrir de novo, você volta antes de carregar. Valdo levantou a mão, parou no meio do caminho e deixou o braço cair. O painel anunciou que o veículo de distribuição já circulava pela rua alta. Três porções. A redução aparecia em vermelho, pequena demais para alimentar um homem que dirigiria até a tarde. Nael puxou uma panela funda debaixo da pia. Dentro havia farinha de milho endurecida e dois pedaços de pequi guardados desde a noite anterior. Quebrou a farinha com a colher, acrescentou água medida no copo de Ilva, quatro goles, e mexeu até a massa soltar do fundo. Você vai comer antes, disse Valdo. Nael dividiu o pequi em quatro partes. Uma ficou na panela. Duas foram para a tigela de Valdo. A última ele levou à boca sem olhar ninguém. Ilva viu a película nova no pescoço do motorista e o pedaço de película que lhe faltaria mais tarde. Guardou o estojo fechado. No vale, cuidar de alguém começava a parecer uma maneira de escolher qual ferida teria direito a durar. O painel chamou Valdo pelo nome. Ele não respondeu. Do quintal vinha o ruído seco da barra de sondagem tocando a terra quando o vento a empurrava contra a parede. Os três furos estavam além da sombra do buriti. A inspeção prometia olhar sem entrar, como se olhar não fosse outra forma de cavar. Nael encheu uma tigela pequena com a massa mais mole e a entregou a Valdo. Ele comeu em três colheradas. Depois limpou a boca no dorso da mão, pegou a barra no chão e foi até o primeiro furo. Ilva permaneceu na porta. Valdo trouxe terra da margem do quintal em pequenas porções, soltando-a sobre a poeira preta. Não apertou com o pé. Usou a palma, devagar, deixando a superfície irregular, parecida com chão mexido por formiga. No segundo ponto repetiu o cuidado. No terceiro, a película do pescoço repuxou quando ele se inclinou. Nael não saiu para ajudar. Quando o veículo dobrou a rua, Valdo largou a barra junto ao muro, lavou as mãos na tigela vazia e ficou olhando a terra recém-coberta. A boca dele fechou de um modo que os dois reconheceram.
Energia e água
| Geração | 161.549 tokens em 12 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~323 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 61 Wh só na placa de vídeo (4090) | medido na GPU |
| Tradução | ~4.991 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |