2047: Arquivos do depois de antes
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CAPÍTULO 018 · PRÉVIA

A QUARTA TIGELA

Prévia, ainda não impresso

A tampa do recipiente menor estalou antes de a água começar a ferver. Nael a ergueu com dois dedos e despejou o milho na panela, deixando no fundo uma camada de grãos para a manhã. Tiago acompanhava a operação sentado junto à parede, a palma protegida pousada sobre a coxa. A casa tinha quatro tigelas baixas. Nael colocou três no chão, perto do fogão, e guardou a quarta dentro do armário alto. Essa fica seca, disse. Ilva lavou duas folhas de pequi numa cuia. A água adquiriu a cor da poeira e foi usada para umedecer a massa. Nael não deixou que ela a despejasse fora. Puxou a panela menor, juntou ali o líquido e cobriu com um prato de alumínio. Pela manhã serviria para soltar o milho endurecido ou para baixar a febre de alguém. O prato de alumínio vibrou uma vez sobre a panela. Do quintal veio o ruído das raízes de buriti roçando a terra seca. Antes, Nael dormia ouvindo sapos no trecho baixo do Lajes. Agora distinguia o som da tubulação da mina pelo quarto, mesmo quando a bomba ficava longe. O metal vibrava dentro das paredes e parecia procurar lugar à mesa. Tiago olhou para a quarta tigela. É da Mariana, perguntou. É, disse Ilva. Ela não vem. A colher parou sobre a massa. Mariana estava no quarto turno de compensação, mas a porção continuou reservada. Nael dividiu o alimento em três partes menores, uma para cada corpo presente, e deixou a quarta tigela vazia sobre o fogão. O calor da chama alcançava a borda, sem chegar a cozinhar nada. O canal auditado junto à orelha de Ilva emitiu uma nota curta. Ela levou a mão ao dispositivo, porém não ouviu a mensagem. A luz discreta repetiu o aviso. Tiago encarou a massa. Nael raspou o fundo da panela com a colher de madeira. É da sequência, disse ele. Ela assentiu. A resposta sobre a origem venceria antes do amanhecer. O intervalo da linha doméstica podia desaparecer junto com o nome de Edna na escala, e a água voltaria a passar pela casa em fios menores. Ilva tirou a tigela dela do chão. Separou metade da massa e passou para a quarta. Tiago levantou os olhos. Você vai comer o quê. O que sobrar na panela. Não sobra, disse Nael. A frase ficou entre os três. Tiago puxou sua tigela para o centro e empurrou uma porção para a de Ilva. A membrana em sua palma rangeu contra o barro do piso. Ela tentou devolver, ele cobriu a comida com a mão boa. Comi no posto, disse. Nael conhecia a mentira pelo modo como o rapaz evitava olhar a panela. Ainda assim, colocou sobre a porção de Tiago uma lasca de pequi. Era pouca polpa, presa ao caroço como uma unha amarela. Ninguém discutiu. Sales, emissário da convergência técnica, passou diante do alpendre com duas pessoas de roupa clara. Falava baixo, apontando para o morro onde o datacenter seria acomodado entre a estrada e a área de britagem. Não entrou. Seus acompanhantes olharam a casa como quem avalia uma distância. Ilva esperou que eles sumissem na curva. Depois tomou a quarta tigela e colocou-a no armário alto, ao lado da água reaproveitada. Mariana receberia aquela comida ou encontraria a tigela seca. Ilva fechou o armário alto até a madeira bater de leve.

Mais tarde, a paralela recebeu quatro porções. Uma delas não tinha corpo diante dela.

Energia e água

Geração64.062 tokens em 6 chamadas ao modelomedido
Água~128 ml na geração, 2 ml por mil tokensestimado
Vídeo107 Wh só na placa de vídeo (3090)medido na GPU
Tradução~4.613 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic)estimado
Impressãoimpressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora
Como a conta é feita ↗