2047: Arquivos do depois de antes
← Todos os capítulos

CAPÍTULO 017 · PRÉVIA

TRÊS GOMOS DE MEXERICA

Prévia, ainda não impresso

A faixa luminosa da cabine media oito centímetros de largura. Edna parou com a ponta da bota a um dedo dela, enquanto o painel encerrava a análise da sequência sem receber a origem. A bomba trabalhava atrás da porta, três pulsações próximas, uma pausa, o intervalo que sustentava a linha doméstica. A suspensão chegou pelo visor junto ao corpo. Primeiro apagou a curva que ela podia editar. Depois retirou seu nome da escala hidráulica. Por fim, converteu a engenheira que assinara o dreno em presença acompanhada. Ilva segurava o terminal de campo diante da soleira. A autorização provisória para circular até a junção ainda durava quatro horas, mas não incluía conceder entrada à responsável técnica. Edna aproximou a íris do leitor. Uma luz percorreu a pele vincada acima do olho e recusou o acesso. Origem não declarada, disse a cabine. A porta permaneceu fechada. Dentro, Mariana ajustava a derivação do turno seguinte. Podiam vê-la pelo vidro escurecido, com os dedos percorrendo a curva suspensa e a cabeça inclinada para ouvir a bomba. Ela tocou o comunicador da cabine. Se a pressão cair, eu preciso dela aqui. Edna encostou o visor na faixa luminosa. A interface ofereceu duas passagens. A primeira exigia declarar a empresa de onde trouxera a rotina. A rotina seria isolada, a água doméstica perderia o intervalo e o comprador abriria uma ocorrência contra o contrato anterior. A segunda permitia que uma verificadora assumisse a custódia da entrada. Quem autorizasse passaria a responder por qualquer alteração feita durante a permanência. Ilva leu as condições até o fim. O canal auditado vibrou em seu ouvido. Havia uma resposta do homem da outra cidade, recebida onze minutos antes e ainda não reproduzida. O indicador mostrava vinte e sete segundos de voz. Edna viu o brilho junto à orelha dela. Pode ouvir, disse. A bomba mudou de nota atrás da porta. Mariana bateu duas vezes no vidro. Ilva abriu a mensagem. A voz masculina perguntou se ela se lembrava do cheiro da terra quando começava a chover, antes de o painel anunciar a primeira gota. Depois riu da própria pergunta. A gravação terminou com seis segundos de respiração, mantidos pela rede porque até a hesitação tinha valor de treinamento. Ela pediu resposta. Gravou, Você aparece quando eu durmo. Escutou a própria frase. Parecia exata demais. Apagou e tentou outra vez. Aqui a terra tem cheiro antes da água chegar. Também apagou. Na terceira gravação, a bomba abafou metade das palavras. Enviou assim. A pressão caiu dois pontos. Mariana abriu a comunicação novamente. Agora. Ilva ofereceu a face ao leitor. O painel reconheceu sua autorização provisória, comparou a faixa na perna com a imagem clínica e pediu confirmação de custódia. Ela pousou a digital no terminal. A luz da soleira passou do azul ao amarelo. Edna atravessou. Do outro lado, seu visor perdeu os comandos. As curvas continuaram diante dela, porém cada campo de ajuste ganhou a inscrição leitura assistida. Tentou ampliar a linha doméstica com dois dedos. A imagem se afastou de sua mão. Essa linha chega tarde, disse. Quanto, perguntou Ilva. Mariana abriu o painel acústico. O ruído da bomba entrou mais limpo na cabine. Edna se aproximou sem tocar na curva. Contou quatro ciclos, fechou os olhos no quinto e indicou uma queda antes que o sensor a marcasse. Reduz a britagem em meio ponto. Não posso com você suspensa. Então faz porque escutou. Mariana sorriu de um lado da boca. Sempre quis mandar em engenheira. Reduziu a britagem. A linha doméstica subiu apenas o suficiente para recuperar o intervalo copiado. Edna corrigiu a posição de uma presilha no cabelo e disse que, quando meninas, as duas perdiam tardes disputando quem imitava melhor o canto de uma seriema. Mariana reproduziu um som rouco, prolongado demais. Edna riu. Ilva tentou imitar e produziu o barulho de uma correia sem óleo. As três riram até a bomba cobrir tudo. Sobre a bancada, alguém deixara três gomos de mexerica num recipiente de processo lavado. Mariana comeu dois.

O terceiro ficou secando sob a luz dos indicadores. O painel pediu a procedência outra vez. Edna manteve a boca fechada. A faixa amarela na soleira começou a diminuir, um segmento por minuto. Quando chegasse ao fim, ela seria retirada da cabine e Mariana perderia a orientação que não constava no manual operacional. Ilva abriu o campo de custódia e vinculou a entrada à divergência de sete litros. A ocorrência aceitou a relação, mas acrescentou seu nome à apuração da sequência. Na tela, a autoria passou a ter duas linhas vazias. Edna olhou para ela. A faixa na sua perna está acesa. A porta reconheceu a voz como tentativa de declaração e solicitou repetição. Nenhuma das duas repetiu. À noite, a paralela recebeu a suspensão de Edna, a passagem autorizada por Ilva e os quatro ciclos ouvidos antes do sensor. A origem continuou em branco. No registro da operação, porém, duas pessoas passaram a dever uma resposta onde antes havia uma só.

Energia e água

Geração48.437 tokens em 5 chamadas ao modelomedido
Água~97 ml na geração, 2 ml por mil tokensestimado
Vídeo108 Wh só na placa de vídeo (3090)medido na GPU
Tradução~7.185 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic)estimado
Impressãoimpressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora
Como a conta é feita ↗