A CAIXA DO EIXO
A panela de mingau tinha água para três colheres em cada tigela. Renan chegou quando Luzia raspava o fundo com a unha, fazendo um círculo branco aparecer sob a massa rala. Trouxera a caixa do eixo junto à coxa, sem entrar no armário de serviço. O calor da cozinha colava a camisa em suas costas. O ocupante afastou a própria tigela. Renan pôs a caixa no banco, onde Antônio costumava separar garrafas vazias antes da suspensão do bar. A tampa acendeu. A oficina mandou prazo, disse ele. A tela projetou quarenta e três minutos. A compradora de lotes do consórcio exigia que Renan escolhesse entre custódia provisória ou recusa técnica do eixo incompatível. A primeira opção mantinha a ferramenta vinculada e o nome dele preso à peça. A segunda liberava uma auditoria de transporte, paga pelo endereço que sustentava o rotor novo. Quem autorizou isso, perguntou Ilva. A gerente de suprimentos, respondeu Renan. O nome dela apareceu por um instante, abaixo da cláusula de responsabilidade compartilhada. Luzia parou a unha sobre a tigela. Lá fora, duas lagartixas saíram da sombra do duto e correram pela superfície quente, atrás dos insetos que se acumulavam perto da luz de sódio. O murici tinha folhas tortas, raspadas pelo pó que vinha da lavra. Falaram na oficina que, numa terra de longe, fizeram leis para contar água, energia, chão, essas coisas de datacenter, disse Renan. Aí a companhia quer mostrar que aqui tudo tem destino. Aqui tem destino, falou o ocupante. Vai para a casa de quem já deve. Renan abriu a tampa. A liga clara permaneceu encaixada no suporte, limpa demais para Buritaçu, com o sulco de terra vermelha que a inspeção apagara do relatório. Ele passou o dedo acima da nervura sem tocar. Se eu recusar, eles mandam buscar a caixa e travam a energia técnica da casa até a perícia. Se eu aceito, dizem que fui eu que pedi a peça. Ilva levou a colher à boca e deixou o mingau esfriar nela. A concessionária podia cortar o consumo do rotor, e a cozinha perderia até aquela faixa estreita onde a farinha demorava mais a estragar. A gerente de suprimentos chamava aquilo de correção de cadeia. O consórcio guardaria a água poupada no painel, enquanto as torres do datacenter continuariam devolvendo vapor acima do cerrado. O ocupante puxou o painel para perto. O segundo áudio aguardava com a mesma marca temporária, preso à volta de Antônio. A plataforma ofereceu uma rota nova. Prova de residência associada podia sustentar a auditoria sem transferir o eixo à responsabilidade de Renan. Você vai usar minha mãe para cobrir a peça, disse ele. Não, falou Renan. A oficina vai usar. Eu só preciso aceitar ou deixar que usem a casa. A caixa emitiu um pulso curto. Restavam trinta minutos. Ilva se levantou e abriu a divisória do corredor. A faixa cortada da casa da mãe apareceu marcada pela palma suja de Renan.
O ocupante ficou diante dela, com a tigela vazia entre as mãos. Não entrega o áudio, disse Ilva. Ele não respondeu. Fechou o painel da casa, pegou a caixa do eixo pelo fundo e a levou para fora da cozinha.
Energia e água
| Geração | 100.631 tokens em 8 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~201 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 61 Wh só na placa de vídeo (4090) | medido na GPU |
| Tradução | ~4.216 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |