TRÊS OVOS NA TAMPA
O Cantochoro da encosta entrava e saía pela fresta acima do armário de serviço, trazendo no bico fibras secas de capim, filamentos de embalagem mineral e a penugem arrancada dos dois arbustos sem folha diante do bar. A cada viagem, deixava mais matéria sobre a grade de entrada. O ar da máquina começou a voltar pelo vão em bafo curto, com cheiro de poeira aquecida. Renan percebeu antes de todos. Encostou a palma na chapa e retirou a mão depressa. A caixa de ferramentas continuava fechada sob o balcão, obedecendo à suspensão do perfil dele. Mesmo assim, ele se abaixou diante do armário e acompanhou o ruído da hélice. Tem ninho na entrada, disse. O pássaro voltou com uma raiz fina, bateu na chapa e desapareceu por trás do duto. Antônio saiu da cozinha com a tampa virada, ainda manchada pela mandioca queimada. Nael ficou perto da porta, olhando para cima. A antiga faixa de mata atrás da hospedaria tinha sido aberta para a estrada de serviço, depois comida pela poeira da cava. Restavam poucos pontos de abrigo entre as telhas quentes, os cabos e as câmeras. Ilva se aproximou do armário. A responsabilidade pelo desvio térmico ainda corria em seu nome. Ela tinha perdido a medição, mas o calor daquela chapa chamava seu corpo como uma ocorrência antiga. Se puxar por baixo, esmaga, disse Renan. Antônio trouxe uma escada baixa do depósito. A madeira rangia em cada apoio. Nael segurou a base enquanto Ilva subia, devagar, uma mão na parede e outra no duto. O Cantochoro saiu outra vez, desta vez sem fibra, e pousou na fiação presa à fachada. Ficou olhando os quatro como quem esperava a devolução de uma coisa que ninguém tinha prometido. Lá dentro havia três ovos pequenos, cinzentos de poeira vermelha. Renan pegou a tampa virada e pediu que Antônio a segurasse abaixo da fresta. Depois arrancou uma tira da própria camisa, mediu com os olhos a largura da grade e indicou onde Ilva devia apoiar os dedos. Ela soltou primeiro o capim. Depois os filamentos. A penugem veio inteira, presa por uma saliva seca que resistiu à primeira tentativa. A hélice mudou de nota. Nael levantou o rosto. Conhecia aquela mudança desde o tempo em que levava máquinas para dentro do terreno e recebia por caminho aberto. Nael baixou o rosto, os lábios se moveram sem som. Ele estendeu os braços quando o ninho cedeu. Os ovos caíram na tampa sem quebrar. O Cantochoro desceu num círculo baixo, perto demais da cabeça de Antônio. Ele se encolheu, riu uma vez e parou quando viu o pássaro pousar no beiral. Ilva entregou a tampa a Nael. Renan apontou para a lateral do alpendre, onde uma antiga caixa de ventilação permanecia presa à madeira, inútil desde que a hospedaria perdera a classificação. Ali pega sombra até meio-dia, disse. Levaram os ovos para lá. Nael encaixou as fibras, Antônio acrescentou palha tirada de uma esteira velha, e Ilva afastou do ninho os fios plásticos que o pássaro trouxera da área de carga. Quando terminaram, o Cantochoro pousou na borda da caixa, entrou e sumiu. A hélice retomou o giro contínuo. A chapa esfriaria só para a máquina. Do lado de fora, o calor permanecia sobre os ombros deles, vindo da estrada de minério, dos armários, do datacenter prometido para beber da mesma bacia. Renan limpou as mãos na calça e olhou para a caixa bloqueada sob o balcão. Depois virou o rosto para a cozinha.
Energia e água
| Geração | 46.992 tokens em 4 chamadas ao modelo | medido |
|---|---|---|
| Água | ~94 ml na geração, 2 ml por mil tokens | estimado |
| Vídeo | 61 Wh só na placa de vídeo (4090) | medido na GPU |
| Tradução | ~4.866 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic) | estimado |
| Impressão | impressão, máquina e papel entram quando a folha sair da impressora |