2047: Arquivos do depois de antes
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CAPÍTULO 009 · PRÉVIA

A RAIZ SOB A TAMPA

Prévia, ainda não impresso

Às oito e treze, a autorização de Ilva tinha trinta e nove horas restantes. Ela saiu com a lente de vazão presa ao uniforme, seguiu o ramal desde o armário da esquina e encontrou a primeira derivação sob uma placa de proteção que o capim seco já atravessava. Nael caminhava atrás, apoiando menos peso na perna ruim. Antes das sondagens, passava por ali para alcançar o campo onde jogava bola com Antônio. Havia um murundum coberto de flores pequenas entre a rua e o Lajes, e os jogadores buscavam a bola dentro do mato sem enxergar os próprios tornozelos. A terraplenagem da mina nivelara o campo. Depois vieram os dutos, as câmeras de rastreamento e uma crosta cinzenta sobre a terra, fina o bastante para entrar nas casas, grossa o bastante para nenhuma flor voltar. Ilva aproximou a lente da placa. O visor indicou continuidade até o ponto de bombeamento e uma curva sob o antigo campo. A curva não aparecia no registro liberado por Edna. Vamos por cima, disse ela. Deu quatro passos. Um enxame saiu do armário de serviço aparafusado ao muro de adobe e ocupou o ar diante deles. As abelhas eram pequenas, negras, sem ferrão. Subiam em espiral, batiam no rosto e se prendiam ao tecido do uniforme. Ilva recuou até o meio da rua. Nael cobriu a cabeça com o antebraço e desviou para o alpendre de uma casa vazia. Nenhuma câmera ordenou a retirada. Os dois obedeceram às abelhas. Do outro lado do armário, um técnico terceirizado esperava dentro da faixa de sombra projetada pelo telhado. Trazia uma pinça óptica e um anel de vedação dentro de uma cápsula transparente. A peça correta estava indisponível havia onze semanas, e aquele anel, recuperado de uma bomba condenada, custava mais que três dias do trabalho dele. A liga que mantinha o calor longe dos contatos aprendera a respeitar fronteiras antes dos homens que a extraíam. Não abro com elas aí, disse o técnico. O enxame entrou por uma fenda junto ao cabeamento. Algumas abelhas voltaram carregadas de barro escuro. Nael acompanhou o voo até uma vala estreita atrás da casa, onde a terra conservava uma faixa úmida sob folhas pulverizadas pelo minério. Elas estão buscando massa, disse. Ilva guardou a lente. Desceram pela vala, afastando ramos duros com as pernas. O trabalho previsto terminaria no armário, mas as abelhas haviam traçado outro ramal, feito de barro levado entre as mandíbulas. A cada vinte passos surgia uma delas rente ao chão. Depois duas. Depois uma nuvem baixa sobre uma tampa técnica coberta por cascas de árvore. Juvenal, advogado popular que enviava petições até elas desaparecerem nos protocolos, passou na estrada com o rosto voltado para uma audiência vocal. Viu os dois na vala, diminuiu o passo e seguiu falando baixo. A tampa protegia uma junção antiga. Uma raiz de buriti crescera por baixo e levantara uma das bordas dois dedos acima do solo. O metal comprimia a raiz, que se alargava mesmo assim, amarela onde perdera a casca. Pelas frestas saía umidade suficiente para as abelhas, três gotas por minuto, absorvidas antes de alcançar a superfície. Nael se agachou. Esse buriti ficava no meio do campo. Só restava a raiz. O tronco fora cortado quando a operação abriu passagem para os veículos de concentrado, mas sob a placa ela avançara até encontrar o cano. Crescendo, deslocara a junção. As abelhas transformavam a perda enterrada em parede para a própria colônia. Ilva retirou a tampa com ajuda dele. O tubo principal seguia para a vila baixa. Um conduto mais estreito partia da junção, passava sob a estrada e apontava para o pátio onde a britagem lavava as correias. A superfície do desvio estava mais fria que a do ramal doméstico. Água corria ali naquele instante. Ela tornou a prender a lente ao uniforme sem usá-la. O técnico chegou pela borda da vala, ainda segurando a cápsula. Olhou a raiz pressionada, as abelhas e o conduto estreito. Se eu vedar, elas perdem o barro. Se cortar a raiz, ela abre de novo mais abaixo. Ilva pediu a pinça. Ele não entregou. A ordem é no armário. Nael encostou dois dedos no tubo. A vibração subia contínua em direção à britagem. Ele conhecia aquela nota de quando guiava as primeiras máquinas pelo vale, pago por metro aberto. Apertou a boca, como fazia na época em que indicar uma curva rendia mais que perguntar o destino dela. As abelhas desceram sobre a junção exposta. Cobriram a borda metálica, entraram na fenda e obrigaram os três a subir da vala. O reparo ficou aberto. A água do desvio continuou correndo. No alto, Ilva limpou o barro das botas e olhou a estrada que contornava a poligonal. A autorização permitia seguir apenas até a junção. Ela soltou do uniforme a lente de vazão e a entregou ao técnico. Depois apertou as tiras das botas, primeiro a esquerda, depois a direita.

Nael já se afastava pela estrada proibida quando ouviu os passos dela alcançarem os seus.

Energia e água

Geração40.863 tokens em 4 chamadas ao modelomedido
Água~82 ml na geração, 2 ml por mil tokensestimado
Vídeo109 Wh só na placa de vídeo (3090)medido na GPU
Tradução~7.004 tokens na versão em inglês, Claude (Anthropic)estimado
Impressãoimpressão, máquina e papel entram quando a página sair da impressora
Como a conta é feita ↗